
A vitivinicultura nos Açores atravessa um período de forte crescimento e inovação, com recordes de produção, aumento do número de produtores e novas apostas na investigação científica. A informação foi avançada pelo Secretário Regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura, na abertura da Expo Atlantic Terroir 2026, realizada este fim de semana na ilha Terceira.
O Secretário Regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura, afirmou que o setor vitivinícola açoriano vive atualmente um momento de “forte dinamismo e empreendedorismo regenerativo”, destacando o contributo crescente desta fileira para a economia regional. As declarações foram feitas durante a sessão de abertura da Expo Atlantic Terroir 2026, que decorreu este fim de semana no Parque Multissetorial da Ilha Terceira.
De acordo com uma nota de imprensa divulgada esta segunda-feira, 13 de abril, pela Secretaria Regional da Agricultura e Alimentação, o governante sublinhou que a vitivinicultura se consolidou como uma das atividades mais relevantes da agroprodução regional. “A vitivinicultura açoriana assume hoje um papel determinante na regeneração económica e social das ilhas, apoiada por resultados históricos e por um ecossistema cada vez mais empreendedor”, afirmou.
Os dados mais recentes confirmam esta evolução. Em 2025, a produção de uva na Região atingiu 1.048 toneladas, o valor mais elevado das últimas duas décadas. A ilha do Pico continua a liderar de forma destacada, concentrando 92% da produção regional, com 956 toneladas. A Terceira surge em segundo lugar, com 36 toneladas, reforçando a sua trajetória de crescimento no setor.
O dinamismo da fileira reflete-se também no aumento do número de agentes económicos e na diversidade de produtos disponíveis no mercado. Segundo a mesma nota de imprensa, o IVV Açores registou em 2025 um recorde de 35 produtores inscritos, número que se mantém em 2026 e que poderá atingir um novo máximo até ao final do ano.
Ao nível da presença comercial, os dados atualizados até 1 de abril de 2026 indicam a existência de 115 marcas e 179 referências comerciais de vinho açoriano, ultrapassando largamente o máximo histórico registado no ano anterior.
No domínio da inovação e do apoio técnico à produção, António Ventura anunciou que já estão disponíveis para distribuição imediata aos vitivinicultores 3.700 plantas de videira das castas Verdelho, Terrantês do Pico e Arinto dos Açores. As plantas resultam de um projeto desenvolvido em parceria com o Centro de Biotecnologia dos Açores.
Paralelamente, o governante revelou o lançamento de uma nova linha de investigação dedicada à certificação de porta-enxertos de castas tradicionais, uma iniciativa que pretende reforçar a sustentabilidade da produção e proteger o património vitícola único do arquipélago.
No que diz respeito ao investimento, encontram-se abertas até 15 de abril as candidaturas para novos direitos de plantação, no âmbito de uma quota de 17 hectares atribuída à Região. Além disso, o programa VITIS deverá reabrir em junho, tendo já recebido, na primeira fase deste ano, 19 candidaturas que abrangem mais de seis hectares em várias ilhas.
Os produtores podem ainda recorrer ao Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC) até ao final de junho, com apoios que podem atingir 80% para investimentos destinados à modernização da fileira.
Citado na mesma nota de imprensa, António Ventura concluiu que os resultados alcançados, aliados à aposta contínua na ciência e na inovação, demonstram que a vitivinicultura açoriana está a consolidar um percurso de crescimento. Na sua perspetiva, o atual ciclo de investimento mostra que o setor está preparado para enfrentar os desafios dos mercados externos, mantendo a qualidade e a autenticidade que caracterizam os vinhos produzidos no arquipélago.
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