PS/TERCEIRA ACUSA GOVERNO DE “ESCONDER” AGRAVAMENTO DAS LISTAS DE ESPERA NO HSEIT

O Secretariado da Ilha Terceira do Partido Socialista considera que a realidade vivida diariamente no HSEIT “demonstra precisamente o contrário” da imagem positiva que, acusa, a Secretária Regional da Saúde tem procurado transmitir sobre a prestação de cuidados de saúde na ilha.

Segundo a nota de imprensa do PS/Terceira, o hospital atravessa “um momento particularmente difícil”, nomeadamente devido à falta de médicos anestesiologistas. Apesar do esforço dos profissionais, a insuficiência de recursos humanos estará a provocar constrangimentos, entre os quais adiamentos e cancelamentos de cirurgias.

Os socialistas apontam também dificuldades no Serviço de Urgência, onde, segundo a mesma nota, as equipas têm assegurado a resposta aos utentes “em condições particularmente exigentes”, enfrentando insuficiência de recursos humanos, dificuldades na elaboração das escalas e “enorme pressão e desgaste” entre médicos, enfermeiros e assistentes operacionais.

O PS/Terceira manifesta particular preocupação com as declarações de escusa de responsabilidade apresentadas, de forma reiterada, por médicos e enfermeiros que asseguram o Serviço de Urgência. De acordo com o partido, estes profissionais têm alertado para a ausência das condições que consideram necessárias para exercer a atividade em segurança.

“Estes sinais não podem ser ignorados nem disfarçados através de propaganda política”, afirma o PS/Terceira.

Apesar das críticas, o partido diz reconhecer o trabalho desenvolvido pelo Conselho de Administração do HSEIT e, sobretudo, pelos profissionais de saúde para manter a capacidade de resposta do hospital perante as dificuldades existentes. Considera, contudo, que esse esforço “não pode servir para esconder os problemas estruturais que persistem”.

A nota de imprensa centra igualmente as críticas na evolução das listas de espera cirúrgica. O PS/Terceira considera “incompreensível” que a Secretaria Regional da Saúde procure apresentar o aumento da atividade assistencial como uma forma de justificar ou relativizar o número recorde de utentes em espera.

De acordo com os dados citados pelo partido, em julho havia 13.945 açorianos à espera de uma cirurgia, o número mais elevado desde que existem registos disponíveis, representando um aumento de 8,3% face ao mesmo mês do ano anterior. O tempo médio de espera atingiu 498 dias, enquanto 57,2% das cirurgias realizadas ocorreram para além do Tempo Máximo de Resposta Garantido.

No HSEIT, acrescenta o PS/Terceira, 3.283 utentes aguardavam por uma cirurgia em julho, mais 8,2% do que no mesmo período do ano anterior. Entre estes, 250 pessoas esperavam há mais de dois anos.

O partido considera que estes números não podem ser “escondidos por detrás do aumento da atividade dos profissionais”, embora reconheça e valorize esse crescimento, que atribui, antes de mais, ao esforço dos trabalhadores do Serviço Regional de Saúde.

Na nota, o PS/Terceira recupera ainda declarações atribuídas à atual Secretária Regional da Saúde quando, em 2019, enquanto deputada da oposição, classificava como uma “verdadeira calamidade” uma lista de espera cirúrgica que, segundo os socialistas, tinha então cerca de 2.000 utentes menos do que atualmente.

“Agora, com quase 14 mil açorianos à espera e um tempo médio de 498 dias, o discurso mudou. Infelizmente, não mudaram para melhor os resultados — mudou apenas quem está no Governo”, afirma o PS/Terceira.

O partido conclui que o aumento da atividade assistencial deve ser reconhecido, mas “não altera o facto essencial”: há atualmente mais açorianos à espera de uma cirurgia e por mais tempo, considerando ser esse o indicador que “verdadeiramente importa” para os utentes que aguardam uma resposta do Serviço Regional de Saúde.

© PS/T | Foto: PS/T | PE