
O Presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, defendeu que a posição geoestratégica do arquipélago no Atlântico deve ser acompanhada por mais investimento nacional, europeu e da NATO nas infraestruturas portuárias, aeroportuárias e de comunicações, considerando que os Açores são fundamentais para a segurança marítima, a defesa e a autonomia estratégica da Europa.
A posição foi assumida por José Manuel Bolieiro na conferência da CNN Portugal “European Security in Transformation: Shaping Autonomy, Inspiring Action Local”, realizada no Instituto Universitário Militar, onde foi orador convidado com uma intervenção dedicada ao tema “Profundidade Estratégica do Atlântico: Segurança Marítima, Infraestruturas Críticas e Resiliência Europeia”.
De acordo com a nota de imprensa divulgada quinta-feira pela Presidência do Governo Regional, o líder do executivo açoriano destacou a importância da dimensão atlântica de Portugal, afirmando que “os Açores representam uma plataforma estratégica fundamental para a segurança marítima, as comunicações, o conhecimento científico e a projeção internacional do país”.
“É essa dimensão atlântica que Portugal, com os Açores, dão à Europa, dão à NATO, dão ao mundo”, declarou, defendendo que a importância territorial do país não deve ser avaliada apenas pela sua dimensão terrestre e demográfica, mas também pela sua extensão marítima e espacial.
José Manuel Bolieiro considerou que a localização geográfica do arquipélago constitui uma vantagem que deve ser transformada em capacidades concretas, nomeadamente na vigilância do oceano, na proteção de infraestruturas críticas e no reforço dos meios de segurança e defesa.
“Investir nos Açores é reforçar segurança marítima, autonomia estratégica e resiliência da Europa no Atlântico”, afirmou, defendendo que esta aposta deve constituir uma prioridade nacional e europeia.
O governante recordou que os Açores representam cerca de 56% da Zona Económica Exclusiva portuguesa, sublinhando o contributo do arquipélago para a presença de Portugal no Atlântico.
Entre as infraestruturas consideradas estratégicas, destacou os portos de Ponta Delgada, Praia da Vitória, Horta e Lajes das Flores, a Base das Lajes, as capacidades aeroportuárias de Santa Maria e as ligações submarinas de comunicações.
O Presidente do Governo Regional alertou também para a necessidade de modernizar os cabos submarinos de fibra ótica que ligam o continente português, os Açores e a Madeira, considerando essencial garantir a segurança e a resiliência destas infraestruturas críticas.
“Tem de haver investimento nacional, europeu e da NATO, nas infraestruturas portuárias e aeroportuárias nos Açores”, defendeu, salientando que estes equipamentos podem responder simultaneamente a necessidades civis e militares, contribuindo também para a competitividade e o crescimento económico.
Ciência, vigilância marítima e conservação dos oceanos
Na sua intervenção, José Manuel Bolieiro apresentou igualmente exemplos do investimento regional no conhecimento e na vigilância do oceano, destacando o novo navio científico, o desenvolvimento do polo tecnológico MARTEC e a utilização de drones para observação marítima.
A proteção dos ecossistemas marinhos foi outro dos temas abordados, com o governante a salientar a implementação da Rede de Áreas Marinhas Protegidas dos Açores, que abrange 30% do mar da Região e contribui para os compromissos nacionais e internacionais de conservação da biodiversidade.
Para o Presidente do Governo Regional, é necessário reconhecer a importância estratégica da geografia atlântica portuguesa e transformar esse potencial em investimento e capacidade operacional.
“É transformar periferia em centralidade”, sintetizou, defendendo uma visão que coloque os Açores no centro das prioridades nacionais e europeias em matéria de segurança, defesa, ciência e desenvolvimento.
A conferência reuniu responsáveis políticos, militares e especialistas nacionais e internacionais, entre os quais o ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, o presidente do Comité Militar da NATO, almirante Giuseppe Cavo Dragone, e Andrea Tassoni, chefe do Gabinete Executivo da Agência Europeia da Segurança Marítima (EMSA).
Participaram ainda António Lagartixo, CEO da Deloitte Portugal, e Ellen E. McCarthy, CEO da Truth Media e antiga responsável norte-americana na área dos serviços de informações. A sessão institucional de abertura contou com o vice-almirante António Vizinha Mirones, comandante do Instituto Universitário Militar, e Mário Ferreira, presidente do Conselho de Administração da Media Capital.
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