
O Chega/Açores acusou o Governo Regional de manter o Serviço Regional de Saúde num cenário de “improviso, desorganização e milhões gastos sem resultados”, dois anos após o incêndio no Hospital do Divino Espírito Santo.
De acordo com uma nota de imprensa divulgada na quarta-feira pelo Chega/Açores, o líder parlamentar do partido, José Pacheco, criticou o estado atual da saúde na Região durante um debate de urgência agendado pelo partido na Assembleia Legislativa Regional, na cidade da Horta.
Segundo José Pacheco, “muito pouco mudou” desde o incêndio ocorrido no Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, considerando mesmo que algumas situações “mudaram para pior”.
“Uma situação que deveria servir como momento de viragem transformou-se em improviso, desorganização e milhões gastos sem que os Açorianos sintam hoje mais confiança no Serviço Regional de Saúde”, afirmou.
O parlamentar criticou a falta de avanços nas obras do edifício principal do HDES e questionou a gestão do hospital modular instalado após o incêndio, alegando falta de transparência relativamente aos custos associados à infraestrutura.
José Pacheco afirmou que o projeto, inicialmente apontado para cerca de 12 milhões de euros, “passou a estar associado a encargos próximos dos 40 milhões de euros”, considerando o hospital modular um “símbolo de desperdício, de opacidade e de dúvidas que continuam sem resposta”.
O deputado apontou ainda o aumento da dívida do HDES a fornecedores, referindo que o valor terá crescido em 26 milhões de euros, ao contrário do que, segundo disse, aconteceu noutras unidades hospitalares da Região.
“Enquanto outros hospitais da Região reduziram dívida, o HDES aumentou. Mais dívida. Mais pressão financeira. Mais descontrolo. E menos explicações. Este é o retrato do principal hospital dos Açores”, declarou.
Outra das críticas incidiu sobre a ocupação conjunta de homens e mulheres nos mesmos quartos hospitalares, situação que José Pacheco associou à falta de camas no hospital modular, apesar da existência de enfermarias encerradas no edifício principal.
“Isto não é gestão. Isto não é reorganização. Isto é abandono. Isto é incompetência”, afirmou o deputado, questionando a manutenção de enfermarias fechadas enquanto persistem dificuldades de internamento.
Na intervenção, o líder parlamentar do Chega alertou igualmente para a falta de médicos, especialistas e enfermeiros, bem como para o aumento das listas de espera e as dificuldades sentidas na Linha de Saúde Açores.
José Pacheco referiu ainda o desgaste dos profissionais de saúde, considerando que muitos se encontram “cansados, exaustos e fartos de promessas”, acabando por abandonar a Região ou recorrer à baixa médica.
O deputado abordou também a questão das alegadas baixas fraudulentas, defendendo um reforço da fiscalização e questionando a atuação das entidades competentes no combate a situações de abuso.
Durante o debate, o parlamentar criticou ainda tentativas de transformar a situação do HDES numa disputa entre ilhas, defendendo que o maior hospital da Região “é o hospital de todos os Açorianos”.
“Porque a saúde não se resolve com propaganda. Resolve-se com competência, com gestão séria, com transparência e com respeito pelos Açorianos”, afirmou.
Segundo a nota de imprensa, José Pacheco garantiu que o Chega continuará a exigir “verdade, responsabilização e coragem para mudar”, defendendo que os Açorianos “merecem melhor saúde e melhores instalações hospitalares”.
DEBATE PARLAMENTAR
© CH/A | Foto: CH/A | Vídeo: ALRAA | PE
