
O Governo Regional dos Açores destacou a identificação de um “ecotipo” específico de abelha no arquipélago, com forte presença na ilha de Santa Maria, considerando a descoberta uma nova marca de diferenciação genética e agroalimentar da Região.
Segundo uma nota de imprensa divulgada na terça-feira pela Secretaria Regional da Agricultura e Alimentação, a identificação do novo “ecotipo” de abelha resulta de um estudo genético desenvolvido pelo Centro de Biotecnologia dos Açores, em parceria com o Governo Regional e a Federação Agrícola dos Açores.
A apresentação dos resultados decorreu na Associação Agrícola de São Miguel e contou com a presença do Secretário Regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura, que valorizou o significado estratégico da descoberta para o setor agroalimentar açoriano.
Segundo o governante, a identificação deste ecotipo representa “mais uma diferenciação animal a juntar às seis raças autóctones identificadas para outras espécies no arquipélago”, reforçando o valor do património genético e da biodiversidade regional.
A investigação teve como objetivo determinar, através de análises genéticas avançadas, a eventual existência de uma linhagem endémica de abelhas nos Açores. Embora o estudo não tenha confirmado a existência de uma raça autóctone isolada, validou a presença de um ecotipo próprio no arquipélago, particularmente relevante na ilha de Santa Maria.
Face aos resultados alcançados, António Ventura sublinhou a importância de preservar a abelha “Apis Mellífera” nos Açores e manifestou disponibilidade do executivo regional para trabalhar com a Federação Agrícola dos Açores e as associações do setor apícola na definição de novos objetivos de valorização da espécie e da produção regional.
A nota de imprensa refere ainda que esta validação científica poderá abrir novas oportunidades económicas e de conservação para o setor apícola açoriano.
Durante a apresentação técnica do estudo, o investigador do Centro de Biotecnologia dos Açores, Artur Machado, destacou a relevância das conclusões para a criação de um futuro programa de melhoramento genético.
O especialista defendeu a definição de metas que permitam potenciar a produção de mel e beneficiar os apicultores da Região, salientando igualmente a importância de avançar com a classificação do Mel de Incenso com Denominação de Origem.
Artur Machado considerou ainda fundamental a implementação de um sistema fiável de controlo de qualidade e autenticidade, assegurando que o Centro de Biotecnologia dos Açores possui capacidade técnica para responder a essa exigência.
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