CRISE DOS FERTILIZANTES JÁ PRESSIONA PREÇO DOS ALIMENTOS — ANDRÉ FRANQUEIRA RODRIGUES

O eurodeputado socialista André Franqueira Rodrigues alertou, no Parlamento Europeu, que a atual crise dos fertilizantes representa uma ameaça direta ao preço dos alimentos pagos pelas famílias, defendendo uma resposta comum da União Europeia para travar a escalada de custos no setor agrícola.

Segundo um comunicado de imprensa divulgado na terça-feira pela Delegação Socialista Portuguesa ao Parlamento Europeu, André Franqueira Rodrigues interveio no debate em plenário, em Estrasburgo, sobre o Plano de Ação para os Fertilizantes apresentado pela Comissão Europeia, defendendo medidas urgentes para apoiar os agricultores europeus.

Durante a intervenção, o eurodeputado advertiu que a crise dos fertilizantes “já não é apenas um problema dos agricultores”, mas uma questão que afeta diretamente os consumidores, devido ao impacto crescente nos preços dos alimentos.

“Fertilizantes inacessíveis hoje significam menos produção, menos rendimento agrícola e comida mais cara amanhã”, afirmou André Franqueira Rodrigues, dirigindo-se ao comissário europeu da Agricultura, Christophe Hansen.

O socialista sublinhou que a União Europeia continua fortemente dependente das importações de fertilizantes, recordando que cerca de 30% dos fertilizantes azotados e 70% dos fertilizantes fosfatados utilizados no espaço europeu são importados, situação que expõe o setor agrícola a choques internacionais e aumentos súbitos de preços.

No caso português, destacou que o preço da ureia passou de aproximadamente 450 para 900 euros por tonelada, enquanto produtores de milho enfrentam aumentos de custos que podem atingir os 300 euros por hectare.

“Quando os custos duplicam no campo, as consequências são imediatas. Ou o agricultor perde rendimento, ou produz menos, ou o consumidor paga mais. E, muitas vezes, acontecem as três coisas ao mesmo tempo”, afirmou.

De acordo com o comunicado, André Franqueira Rodrigues considerou positiva a intenção da Comissão Europeia de reforçar a produção europeia, promover a reciclagem de nutrientes e incentivar fertilizantes orgânicos, circulares e de baixo carbono. Ainda assim, advertiu que essas medidas não podem limitar-se a uma visão de longo prazo.

“Os agricultores não precisam de fertilizantes no futuro. Precisam agora. E a campanha agrícola não espera por boas intenções”, defendeu.

O eurodeputado recordou ainda que os socialistas na Comissão da Agricultura do Parlamento Europeu já tinham questionado formalmente a Comissão Europeia, há mais de um mês, sobre as medidas concretas previstas para responder à subida dos custos dos combustíveis, da energia e dos fertilizantes.

Para André Franqueira Rodrigues, a resposta europeia deve ser coordenada e não pode depender exclusivamente dos Estados-Membros, sob pena de agravar desigualdades entre agricultores europeus.

“Se a Política Agrícola é Comum, a resposta também tem de ser comum”, concluiu.

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