CLÉLIO MENESES VINCA “DIMENSÃO UNIVERSAL” DO HOSPITAL DE SANTO ESPÍRITO DA ILHA TERCEIRA

O Secretário Regional da Saúde e Desporto evocou sexta-feira o meio milénio de existência do Hospital de Santo Espírito da Terceira, para vincar “a dimensão universal” que o caracteriza.

“Esta dimensão universal é uma das suas marcas, e penso que deve ser assumido como um dos seus desafios”, disse Clélio Meneses, na cerimónia que assinalou os 530 anos do mais antigo hospital dos Açores.

Lembrando a implantação do hospital junto às Portas do Mar, na cidade de Angra, no final do Séc. XV, para dar assistência e proteção aos navegantes, facto que o tornou universal, o governante considerou que “um dos grandes desafios que este hospital tem no presente é exatamente o de manter a sua marca, de olhar o mundo, de estar aberto ao mundo e de oferecer cuidados de saúde que sejam suficientemente atrativos ao nível da qualidade e ao nível da segurança”.

O Secretário Regional da Saúde e Desporto lembrou também, e enalteceu, os poderes que nos cinco séculos e três décadas de história do Hospital de Santo Espírito garantiram a missão de curar e salvar vidas, “independentemente da natureza de quem o sustentava”.

“Hoje vivemos num tempo em que a iniciativa privada é determinante e temos um hospital, que só o temos porque houve uma parceria público-privada, que envolve uma outra entidade, que faz com que o hospital exista, se mantenha e se consiga desenvolver”, disse Clélio Meneses.

O governante considerou ainda que o Hospital de Santo Espírito “também afirma uma das suas marcas, que é a unidade de evacuações aéreas”, e referiu que, em conjunto com a Força Aérea Portuguesa, “esta unidade tem salvado vidas, e só no último ano de 2021, realizou 419 evacuações”.

“E sobre esta matéria, gostaria de referir que o Governo Regional, já em conjunto com o hospital e com a sua direção clínica, determinou a constituição de uma segunda equipa de evacuações, que pretendemos nos próximos tempos consolidar juridicamente”, disse.

Clélio Meneses justificou a segunda equipa “para garantir que haverá sempre uma resposta ao nível das evacuações aéreas, que garanta a saúde em emergência, em qualquer ilha dos Açores”, e recordou, a propósito, a primeira e recente evacuação para a ilha da Madeira, de uma grávida de gémeos “porque não foi possível a evacuação para o continente, por falta de capacidade das unidades de saúde”, tendo o Governo Regional decidido ativar o protocolo celebrado com aquela região “conseguindo em tempo muito rápido salvar a vida” da mãe e das crianças.

“Esta é uma boa notícia. Como responsável político preocupa-me a moda da má notícia da saúde, que pode satisfazer egos, pode ser arma de arremesso político, mas nunca será a melhor forma de abordar a saúde”, disse Clélio Meneses, considerando que “a saúde não pode ser objeto destas armas, nem pode ser objeto do que quer que seja”.

E foi perentório: “O objeto é sempre a saúde e o outro, e prestar cuidados de saúde”.

“Foram 419 vidas salvas no ano passado, e eu não vi nenhuma notícia sobre isso. Não vi nenhuma notícia sobre as 419 notícias que podiam ter sido feitas. Mas, se há uma situação que corre menos bem, são, se calhar, 400 notícias”, disse.

O governante defendeu que o “sentido de responsabilidade relativamente à abordagem que cada um tem sobre a saúde, parece que também é determinante para os resultados em saúde” e sublinhou que “a saúde não pode assentar exclusivamente no binómio profissional de saúde-utente, tem de assentar de uma forma transversal, na responsabilidade cívica de todos e cada um de nós, quer seja na prevenção, quer seja na abordagem que fazemos à nossa saúde e à saúde do próximo”.

“E estamos a falar aqui de literacia em saúde. E literacia em saúde é exatamente isto, de assumir a responsabilidade de cada um, de acordo com aquilo que são as circunstâncias. E o que vemos como disse são muitas vezes a pequena notícia, a notícia de um pequeno caso, muitas vezes baseada em falsos pressupostos e em mentiras, que causam enorme desgaste para repor a verdade, e o tempo que se leva com isso, retira tempo aquilo que verdadeiramente é essencial. Por isso, mais do que este caminho da pequena notícia do pequeno caso, é importante enaltecermos as boas notícias”, frisou.

O Secretário Regional da Saúde e Desporto expressou também uma mensagem de “confiança e tranquilidade” aos profissionais de saúde “para que os cidadãos desta região e todos aqueles que visitam os Açores acreditem que este hospital é capaz de dar uma resposta digna, rápida e eficaz, com qualidade e segurança, quando é necessário”.

“Temos, de facto, muitos desafios pela frente e um dos grandes desafios é exatamente este, o desafio da confiança e da tranquilidade dos cidadãos, no seu serviço de saúde”, considerou.

“Infelizmente, vemos que alguns, se calhar por falta de literacia em saúde, primam a sua relação com a saúde pela parte negativa. Pelo semear da preocupação, da apreensão, de intranquilidade, de caos. Mas isto são aqueles que estão do lado do problema. Penso que as conquistas na saúde só se alcançam com aqueles que estão do lado da solução e do lado de resolver os problemas”, disse ainda Clélio Meneses.

A sessão comemorativa dos 530 anos do Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira decorreu no pequeno auditório do Centro Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo.

Autarcas e outros responsáveis políticos marcaram presença no evento, e na ocasião foram distinguidos os profissionais com mais anos de serviço na instituição.

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