FURACÃO LORENZO: GOVERNO REGIONAL TEM QUE EXPLICAR AOS AÇORIANOS O QUE SE PASSA COM OS APOIOS DA REPÚBLICA, CONSIDERA VASCO CORDEIRO

O presidente do PS/Açores considerou esta quinta-feira, que “o presidente do Governo Regional tem explicações a dar aos açorianos”, sobre a questão das verbas que a República vai transferir para a Região, na sequência dos estragos provocados pelo furacão Lorenzo.

Para Vasco Cordeiro “em nome da transparência”, os açorianos devem saber que proposta foi apresentada pelo atual Governo Regional e de que forma foi o assunto abordado no recente encontro entre os dois executivos.

Vasco Cordeiro, citado em nota de imprensa, respondia aos jornalistas que o questionaram sobre a redução de verbas que o Governo da República pretende fazer no âmbito da recuperação dos estragos do furacão Lorenzo. “Este assunto não é apenas entre o senhor Presidente do Governo e o Primeiro-Ministro, mesmo que eles se olhem nos olhos. Este é um assunto que tem a ver com a Região e, portanto, o senhor Presidente do Governo tem explicações a dar aos Açorianos”, começou por responder.

Mas Vasco Cordeiro abordou um segundo aspeto, que diz respeito ao encontro entre os dois executivos, que foi classificado como “uma cimeira histórica” pelo Governo Regional: “Se repararem na nota de imprensa que saiu sobre essa cimeira, este foi um dos assuntos que foi tratado. Eu não acredito que este assunto não tenha sido tratado, que não tenha sido esclarecido, portanto os açorianos têm que perceber o que é que se passa”.

O antigo presidente do Governo Regional referiu-se também ao Despacho que foi publicado pelo primeiro-ministro, onde é feita referência a “uma proposta do Governo Regional” e questionou: “Mas que proposta foi esta?”. A bem da transparência, defendeu Vasco Cordeiro, este assunto não pode ser “tratado apenas à porta fechada. Os açorianos têm o direito de saber o que é que se passa, têm o direito de saber de onde é que sai esta questão deste alegado corte”.

E neste sentido, anunciou: “O Grupo Parlamentar do PS, na Assembleia Regional, apresentará um requerimento, precisamente, a solicitar informação que se nos afigura essencial para percebermos isso, nomeadamente, como é que menos de um mês depois de terem realizado uma cimeira histórica, já andam a «não perceberem» e a serem «apanhados de surpresa»?”.

Vasco Cordeiro considerou também que estas matérias “não podem ser tratadas com leviandade” e que são devidos “esclarecimentos aos açorianos”. Ainda em resposta aos jornalistas, recordou que o acordo estabelecido entre o Governo da República e o Governo dos Açores foi anunciado pelo próprio Ministro da Economia, conforme foi noticiado na altura.

“O Orçamento de Estado deste ano tinha previsto mais de 30 milhões de euros para essas despesas e, portanto, há aqui dúvidas a mais e esclarecimentos a menos. E o primeiro esclarecimento que tem que ser dado é do Governo Regional aos Açorianos, por muito que queiram falar com o Governo da República – e acho que devem e fazem bem em esclarecer -, mas há questões que têm a ver com o Governo Regional”, concluiu a sua resposta.

Recorde-se que recentemente o presidente do Governo de coligação PSD/CDS-PP/PPM, José Manuel Bolieiro disse que iria pedir explicações ao primeiro-ministro, António Costa, sobre os cortes impostos pela República nos apoios à recuperação dos estragos provocados pelo furacão Lorenzo.

A posição do chefe do governo surgiu depois de um despacho publicado em Diário da República, a 08 de setembro, pelo gabinete do primeiro-ministro, que alegadamente reduz o montante de apoios à reconstrução das infraestruturas destruídas pelo Lorenzo, em outubro de 2019, a um total 198 milhões de euros, um valor longe de corresponder a 85% dos 330 milhões de euros de prejuízos contabilizados então pelo Governo do PS.

No despacho publicado em Diário República, o gabinete de António Costa diz que a República mantém a intenção de cobrir 85% dos prejuízos até ao montante máximo de 198 milhões de euros (oito milhões assegurados pelo Fundo de Solidariedade da União Europeia, 168 milhões no âmbito da programação do Portugal 2030 e mais 21,5 milhões através do Orçamento do Estado).

Ora feitas as contas, 198 milhões de euros corresponde a 85% de prejuízos na ordem dos 233 milhões de euros, valor substancialmente abaixo dos 330 milhões ao tempo contabilizados.

© PS/A | Foto: PS/A | PE

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