
O Governo dos Açores defende uma abordagem integrada à segurança alimentar e nutricional, centrada no reforço da produção agroalimentar regional, na promoção de hábitos alimentares saudáveis e na redução do desperdício, para aumentar a autonomia alimentar e a sustentabilidade dos sistemas de abastecimento do arquipélago.
A promoção da segurança alimentar e nutricional nos Açores exige uma articulação entre a produção agroalimentar, a saúde, a nutrição e a sustentabilidade ambiental, de forma a garantir o acesso a alimentos seguros, de qualidade e nutricionalmente adequados. Esta foi uma das principais conclusões da reflexão promovida no âmbito da Estratégia Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (ENSANP).
De acordo com uma nota de imprensa da Secretaria Regional da Agricultura e Alimentação, a palestra “Segurança Alimentar e Nutricional nos Açores” reuniu representantes institucionais, produtores, agricultores e profissionais de diferentes áreas, com o objetivo de identificar desafios e oportunidades para o desenvolvimento de sistemas alimentares mais sustentáveis, resilientes e inclusivos.
A iniciativa foi organizada pelo Gabinete da Secretaria Regional da Agricultura e Alimentação, através da representante dos Açores na ENSANP, que é também vogal do Conselho Diretivo do Instituto de Alimentação e Mercados Agrícolas (IAMA), em articulação com a Divisão de Informação e Acompanhamento de Programas Europeus da Direção Regional do Desenvolvimento Rural.
O encontro integrou painéis temáticos dedicados à nutrição dos agroalimentos e ao combate ao desperdício alimentar, além de oficinas participativas centradas na produção, no consumo, na saúde e na nutrição.
O secretário regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura, sublinhou a importância de reforçar a capacidade produtiva regional, tendo em conta os constrangimentos associados à insularidade, aos custos de transporte e distribuição e à dependência externa de determinados produtos.
“É fundamental reforçar a capacidade produtiva dos Açores, valorizando os nossos agricultores e a qualidade dos agroalimentos regionais, enquanto pilares da autonomia alimentar e da resiliência do abastecimento, face aos desafios da insularidade”, afirmou o governante.
António Ventura defendeu igualmente a promoção do acesso a alimentos seguros, de qualidade e nutricionalmente adequados, através do incentivo ao consumo de produtos açorianos, da educação alimentar e da adoção de hábitos saudáveis.
O secretário regional destacou ainda que “a valorização da produção biológica e dos produtos certificados, aliada ao combate ao desperdício alimentar, contribui para sistemas alimentares mais sustentáveis e para uma melhor qualidade de vida dos açorianos”.
Neste contexto, a qualidade e a segurança dos agroalimentos, o acesso a produtos frescos e diversificados e a valorização de produtos regionais assumem particular relevância. Entre os alimentos destacados estão o leite e os produtos lácteos, a carne de bovino, os produtos hortofrutícolas e os produtos com denominação de origem protegida ou indicação geográfica protegida.
PREVENIR O DESPERDÍCIO EM TODA A CADEIA ALIMENTAR
O combate ao desperdício alimentar constituiu outro dos eixos centrais da iniciativa, com enfoque na redução das perdas em todas as fases da cadeia, desde a produção e o armazenamento até à transformação, distribuição e consumo.
Segundo a nota de imprensa, a prevenção do desperdício permite uma utilização mais eficiente dos recursos naturais, da água, da energia e do trabalho, contribuindo simultaneamente para a sustentabilidade económica e ambiental do setor agroalimentar.
Neste domínio, foi destacado o contributo do projeto LIFE IP AGRILOOP Açores, bem como a participação da Secretaria Regional da Agricultura e Alimentação e do IAMA na Estratégia Nacional de Combate ao Desperdício Alimentar.
A sensibilização dos consumidores, a valorização dos produtos da época, a redistribuição de excedentes alimentares e a melhoria das práticas de gestão dos alimentos foram identificadas como áreas importantes para promover uma cultura de prevenção e responsabilidade partilhada.
OFICINAS PARTICIPATIVAS IDENTIFICAM SOLUÇÕES
As oficinas participativas tiveram um papel central na iniciativa, recorrendo à metodologia World Café para promover o diálogo, a partilha de experiências e a construção conjunta de propostas.
Organizadas em torno das áreas da produção, do consumo, da saúde e da nutrição, permitiram reunir diferentes perspetivas e identificar contributos ajustados às especificidades territoriais, económicas e sociais dos Açores.
O trabalho procurou reforçar a articulação entre produtores, instituições, profissionais de saúde, especialistas e consumidores, aproximando os diferentes intervenientes dos sistemas alimentares regionais.
Os contributos recolhidos reforçaram a necessidade de uma abordagem transversal que associe a valorização da produção regional à promoção da saúde pública, à educação alimentar e à utilização responsável dos recursos.
A adaptação da agricultura às alterações climáticas, a proteção dos solos e da água, a preservação da biodiversidade e a promoção da economia circular foram igualmente apontadas como dimensões fundamentais para a sustentabilidade dos sistemas alimentares açorianos.
A participação da Região neste processo, no âmbito da ENSANP, pretende contribuir para a construção de respostas articuladas e adaptadas à realidade insular, reforçando a valorização dos agroalimentos açorianos, a promoção de uma alimentação saudável e segura e o combate ao desperdício alimentar.
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