O Governo dos Açores vai implementar, em 2027, contratos de gestão para os presidentes dos três hospitais da Região, com o objetivo de reforçar a eficiência, a responsabilidade e a sustentabilidade financeira do Serviço Regional de Saúde (SRS), sem comprometer a qualidade dos cuidados prestados à população.
A medida foi anunciada pela secretária regional da Saúde e Segurança Social, Mónica Seidi, durante o plenário de outubro da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, onde defendeu que a avaliação do desempenho hospitalar deve considerar não apenas os resultados financeiros, mas também a atividade assistencial e os benefícios para os utentes.
De acordo com a nota de imprensa divulgada pela Secretaria Regional da Saúde e Segurança Social, os contratos de gestão vão estabelecer objetivos e indicadores de desempenho ajustados à complexidade e à responsabilidade das funções, procurando promover uma gestão hospitalar mais eficiente e alinhada com as orientações estratégicas da tutela.
“Mais do que uma discussão focada no défice ou nas dívidas, o debate deve centrar-se na eficiência da utilização dos recursos, nos resultados obtidos para os utentes e na definição de soluções que assegurem, simultaneamente, a sustentabilidade financeira do SRS e a qualidade dos cuidados prestados à população”, afirmou Mónica Seidi.
A governante destacou também a evolução dos serviços de saúde disponibilizados na Região, apontando a introdução de procedimentos de eletrofisiologia na área da cardiologia, a realização de vitrectomias nos Açores e a implementação da cirurgia robótica, que já permitiu operar cerca de 50 doentes nos hospitais açorianos.
Segundo a secretária regional, estes avanços representam ganhos concretos para os utentes, ao possibilitarem o acesso a tratamentos mais diferenciados e reduzirem a necessidade de deslocações para fora da Região.
No que respeita à despesa hospitalar, Mónica Seidi salientou que o aumento dos custos com medicamentos está também relacionado com a evolução científica e a disponibilização de novas terapêuticas, sobretudo nas áreas da oncologia, das doenças raras e das doenças autoimunes.
A governante apontou como exemplo o Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), onde a despesa com medicamentos biológicos passou de cerca de sete milhões de euros, em 2019, para uma previsão próxima dos 20 milhões de euros no final de 2026.
Estes medicamentos têm contribuído para melhorar a qualidade de vida de doentes com patologias como a artrite reumatoide e a doença de Crohn, permitindo respostas terapêuticas mais eficazes, embora impliquem um aumento significativo da despesa hospitalar.
“A verdadeira reforma dos cuidados de saúde começa na forma como escolhemos tratar os nossos doentes”, afirmou Mónica Seidi, reforçando que o objetivo do Governo Regional é “gerir melhor, para cuidar melhor”.
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