BOLIEIRO EXIGE FINANCIAMENTO EUROPEU JUSTO PARA OS AÇORES

José Manuel Bolieiro interveio na Conferência sobre o Quadro Financeiro Plurianual e os Recursos Próprios da União Europeia, realizada na Sala do Senado, em Lisboa, no painel dedicado à “Política de Coesão, Agricultura e Regiões Ultraperiféricas”, que contou também com a participação do ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, e foi moderado pelo deputado Pedro Coelho, vice-presidente da Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública.

De acordo com a nota de imprensa divulgada quarta-feira pela Presidência do Governo Regional, o líder do executivo açoriano considerou que a proposta inicial da Comissão Europeia, apresentada em julho de 2025, ficou aquém das expectativas das regiões ultraperiféricas, defendendo que ainda existe margem para corrigir opções suscetíveis de comprometer a coesão territorial e o desenvolvimento dos Açores.

O governante sublinhou que o cumprimento do artigo 349.º do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia (TFUE), que reconhece as especificidades e os constrangimentos permanentes das regiões ultraperiféricas, não pode depender de decisões políticas ou da capacidade negocial de cada Estado-Membro.

“É uma exigência de cumprimento do Tratado de Funcionamento da União Europeia”, afirmou, defendendo uma intervenção conjunta do Estado português, das regiões autónomas e das instituições europeias para garantir medidas específicas e financiamento adequado.

Entre as prioridades apontadas, José Manuel Bolieiro destacou a necessidade de preservar e reforçar o POSEI, instrumento europeu de apoio à agricultura das regiões ultraperiféricas, defendendo que os recursos financeiros disponíveis não devem sofrer reduções face aos montantes anteriormente atribuídos.

“O que é imperdoável é que haja uma redução em relação ao histórico”, alertou, sustentando que os apoios devem, pelo menos, acompanhar a perda de poder de compra provocada pela inflação.

Para o presidente do Governo Regional, a experiência do POSEI demonstra que os instrumentos europeus adaptados às realidades insulares produzem resultados concretos na economia, na produção local e na fixação das populações.

“O POSEI tem uma excelente filosofia, deu resultado e ajuda a autonomia alimentar, ajuda a cumprir o direito a ficar, ajuda a desenvolver os territórios mais distantes”, salientou.

Bolieiro defendeu ainda o alargamento desta lógica de apoio a outros setores estratégicos para os Açores, nomeadamente as pescas, os transportes, a energia e a resposta a calamidades naturais. Insistiu igualmente na necessidade de assegurar uma participação efetiva das regiões na gestão dos fundos europeus.

Na sua intervenção, o governante considerou que a discussão do próximo orçamento europeu deve reconhecer não apenas as necessidades de financiamento das regiões ultraperiféricas, mas também o contributo que estas podem dar para os objetivos estratégicos da União Europeia.

Nesse sentido, destacou a posição geográfica dos Açores no Atlântico e o potencial do arquipélago nas áreas da economia do mar, investigação, inovação, segurança e defesa, transição energética, digitalização e acesso ao espaço.

“São territórios de oportunidades para a União Europeia”, afirmou, defendendo que “os Açores devem ser encarados não apenas como uma região que necessita de políticas de coesão, mas também como um território estratégico para a competitividade e afirmação internacional da Europa”.

José Manuel Bolieiro concluiu apelando a uma posição firme e articulada de Portugal nas negociações europeias, de modo a garantir que o próximo Quadro Financeiro Plurianual disponibilize os instrumentos e os recursos necessários ao desenvolvimento sustentável dos Açores, respeitando as particularidades da ultraperiferia e valorizando o contributo do arquipélago para o futuro da União Europeia.

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