DEBATES E A CONTAMINAÇÃO NA PRAIA DA VITÓRIA

O verão chegou, embora timidamente. Posto isto, gosto de fazer a minha caminhada junto à baía da Praia da Vitória, normalmente ao cair da noite. Como não se pode estar em dois sítios ao mesmo tempo, acabo perdendo a oportunidade de assistir como habitualmente e em direto, ao telejornal da RTP Açores.

Como gosto de estar informado e, sabendo da proposta de discussão sobre a contaminação dos solos das zonas circundantes à Base das Lajes, Concelho da Praia da Vitória, trazida pelo CDS/PP ao plenário da Assembleia Regional, logo que voltei da caminhada, abri o computador e através da RTP Play, assisti em diferido ao mencionado debate, na expetativa de ficar mais esclarecido sobre este problema, que há tantos anos dura, parece hibernar por algum tempo, mas sempre que alguém se lembra, é aberta de novo a discussão. Desta vez, através de uma entrevista concedida ao Jornal Expresso, pelo antropólogo Félix Rodrigues, na base da apresentação do seu doutoramento, onde evidencia a descoberta de metais pesados em esqueletos de indivíduos sepultados no cemitério da Praia da Vitória, os quais aparentemente estiveram em contacto cm esses objetos, enquanto funcionários das Forças Armadas Americanas na Base das Lajes, ou viveram próximo dos locais, já reconhecidamente citados como contaminados, não só pelo LNEC, como também pelos próprios Americanos.

Lamentavelmente, acabei concluindo que tinha perdido o meu tempo, assistindo àquele debate, que não passou de contínuos ataques pessoais, inclusive ofensivos à integridade moral e cívica de alguns interlocutores, berros (deixem passar o termo) entre pessoas supostamente educadas e responsáveis pelo trabalho que exercem em favor da região, da democracia e do motivo para que foram eleitos pelos açorianos.

Tudo não passou de um bota abaixo entre os vários Partidos, sem nenhuma solução concreta apresentada, valendo apenas, a proposta do Bloco de Esquerda, sugerindo a constituição de uma comissão independente para estudar o assunto, a qual acabou sendo aceite por todas as bancadas.

Ao Partido que trouxe a subjetiva proposta a debate, sugeria eu, que começasse por descontaminar o Presidente Nacional do seu Partido, também atual Ministro da Defesa, pela infeliz ou quiçá, intencional declaração, sobre a credibilidade das análises apresentadas por Félix Rodrigues e reconhecidas pela Universidade de Coimbra.

Mais tarde, também em diferido, assisti ao programa “Conselho de Redação” onde estiveram presentes, os jornalistas Osvaldo Cabral e Rui Paiva. Dos estúdios da Terceira, o conceituado jornalista Aranda e Silva.

Este sim, valeu a pena assistir ao que trouxeram a público sobre a situação do turismo e o seu decréscimo na Região e também, o badalado tema da contaminação na Praia da Vitória.

Sem papas na língua, foram concretos, objetivos, dialogaram, sugeriram, criticaram os moldes escolhidos pelas várias partes, tanto regionais como nacionais, intitulando os primeiros de vassalos da República e os segundos, dos Americanos… Acabaram assim por me segurar junto ao computador do princípio ao fim do debate, ao contrário do que se tinha passado com a Assembleia Regional, onde, como alguns me dizem: Só lhes apetece mudar de canal… E isto é triste, quando converso com as pessoas e me dizem que não assistem ao que se passa na Assembleia Regional e, muito menos, aos debates promovidos pela RTP Açores. Meus amigos, considero isto deveras preocupante, para os Partidos Políticos, para a nossa Autonomia Regional e sobretudo para a própria democracia.

Noutros tempos, a iliteracia política era vontade do próprio Governo. Hoje, volta a ser, não por querer dos Governos, mas sim, pela incompetência dos seus agentes…

Fernando Mendonça