SEGURO APELA À UNIDADE E À AMBIÇÃO NACIONAL NO DIA DE PORTUGAL

O Presidente da República, António José Seguro, afirmou ontem, em Angra do Heroísmo, que Portugal enfrenta um tempo que exige “coragem, humildade e ambição”, defendendo a necessidade de reforçar a coesão nacional, investir no futuro e criar condições para que os jovens possam desenvolver os seus projetos de vida no país.

No discurso proferido durante a Cerimónia Militar comemorativa do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, Seguro escolheu os Açores como cenário para refletir sobre a identidade nacional, sublinhando a relação histórica dos portugueses com o mar e a centralidade atlântica do arquipélago.

“O mar não é apenas a geografia que nos rodeia. O mar é memória, é destino e é carácter”, afirmou, considerando que foi diante do Atlântico que os portugueses aprenderam “a olhar mais longe”.

O Chefe de Estado destacou igualmente o papel estratégico dos Açores no contexto internacional, referindo que a região ocupa uma posição singular entre a Europa e o continente americano. Segundo o Presidente, essa localização implica “especiais responsabilidades e deveres” na defesa da soberania nacional, dos interesses estratégicos do país e da cooperação internacional.

No plano da segurança e defesa, António José Seguro reiterou que a autonomia estratégica europeia não é incompatível com a relação transatlântica, defendendo antes que ambas se complementam. Considerou ainda que a NATO continua a ser “o pilar fundamental” da comunidade de segurança formada pela Europa e pela América do Norte.

Durante a intervenção, o Presidente prestou homenagem às Forças Armadas, classificando-as como “um dos pilares fundamentais do Estado democrático” e agradecendo a dedicação dos militares na defesa da soberania nacional, da integridade territorial e da liberdade dos portugueses.

A cerimónia coincidiu também com as comemorações dos 50 anos da autonomia político-administrativa dos Açores e da Madeira. António José Seguro afirmou que a autonomia “não enfraqueceu Portugal. Fortaleceu-o”, salientando que permitiu criar instituições democráticas próprias, desenvolver políticas ajustadas às realidades locais e reforçar identidades regionais que enriquecem a identidade nacional.

Apesar desse balanço positivo, alertou para desafios que permanecem por resolver, nomeadamente as assimetrias entre o continente e as regiões autónomas, os custos associados à insularidade e a necessidade de um modelo de financiamento mais ajustado às especificidades dos arquipélagos.

Na evocação dos 500 anos do nascimento de Luís de Camões, o Presidente destacou a atualidade da obra do poeta, considerando-o uma das figuras centrais da consciência coletiva portuguesa. “Celebrar Camões, quinhentos anos depois, é também uma forma de sermos portugueses”, afirmou.

Seguro dedicou igualmente uma parte significativa do discurso às comunidades portuguesas no estrangeiro, classificando a diáspora como “uma das nossas maiores riquezas”. Dirigindo-se aos emigrantes e lusodescendentes, garantiu que “Portugal pensa em vós. Portugal precisa de vós”.

Num dos momentos mais políticos da intervenção, o Presidente alertou para os riscos da polarização e do agravamento das divisões sociais e ideológicas. Defendeu a necessidade de recuperar as “palavras do meio”, associadas ao diálogo, à tolerância e à construção de consensos.

“A minha eleição para Presidente da República foi marcada pelo desejo de unir os portugueses e de unir Portugal”, declarou, acrescentando que a democracia só será sólida se os partidos reconhecerem que a política é simultaneamente um espaço de confronto e de compromisso.

O Chefe de Estado dedicou ainda parte do discurso aos desafios económicos e sociais do país, com particular enfoque na situação dos jovens. Reconheceu a elevada qualificação das novas gerações portuguesas, mas lamentou que muitos continuem a procurar oportunidades no estrangeiro devido à falta de condições adequadas em Portugal.

“O problema não é o talento. Nunca foi o talento. O problema é que esse talento parte para outros destinos”, afirmou, apontando os baixos salários e o elevado custo da habitação como obstáculos à fixação de jovens qualificados.

Para inverter esta realidade, defendeu políticas públicas orientadas para a retenção de talento, melhores remunerações, maior investimento em investigação e inovação, uma ligação mais forte entre universidades e empresas e um Estado mais eficiente e capaz de planear a longo prazo.

Na conclusão da intervenção, António José Seguro regressou à temática da esperança, que considerou essencial para enfrentar os desafios do presente e construir o futuro. Citando o poeta açoriano Emanuel Félix, afirmou que os portugueses são “herdeiros de uma memória longa” e que devem continuar a projetar a esperança através das suas escolhas e da sua determinação.

“Que neste Dia de Portugal possamos renovar a confiança no nosso país, na nossa capacidade de criar, de inovar e de enfrentar o futuro com coragem”, concluiu o Presidente da República, antes de terminar com um apelo: “Viva Portugal!”.

Ler Discurso na íntegra: Aqui.

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