CHEGA ISOLADO NA DEFESA DA RENEGOCIAÇÃO DO ACORDO DAS LAJES

O Chega/Açores foi o único partido a votar a favor de um projeto de resolução que recomendava ao Governo Regional o desencadeamento de um processo de renegociação do Acordo de Cooperação e Defesa entre Portugal e os Estados Unidos da América.

O Chega/Açores foi o único partido a votar favoravelmente um projeto de resolução que recomendava ao Governo Regional que desencadeasse, junto do Governo da República, um processo de renegociação do Acordo de Cooperação e Defesa entre Portugal e os Estados Unidos da América. A informação consta de uma nota de imprensa divulgada na quinta-feira, 16 de abril, pelo partido.

A proposta foi debatida na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, tendo os restantes partidos considerado não ser o momento oportuno para rever o acordo. Durante o debate, o deputado Francisco Lima questionou várias vezes quando seria, então, o momento adequado para essa revisão.

Segundo o parlamentar, se a revisão do acordo “não é oportuna agora, numa altura em que a América está a beneficiar da posição geoestratégica dos Açores e da Base das Lajes para as intervenções militares que tem feito no Médio Oriente, quando vai ser?”.

Francisco Lima criticou também as posições assumidas pelos vários partidos. Relativamente à coligação governamental, recordou declarações do vice-presidente do Governo Regional que considerou não ser o momento adequado para rever o acordo, contrastando com o presidente do Governo que, segundo o deputado, já reconheceu a necessidade dessa revisão.

Quanto às restantes forças políticas, o deputado do Chega afirmou que o Bloco de Esquerda defendeu que “a Base das Lajes não é transaccionável”, ao que respondeu que “tudo é transaccionável com o Senhor Trump”. Sobre a Iniciativa Liberal, considerou que o partido “veio fazer a defesa dos Americanos e não a defesa dos Açores”.

Também citado na nota de imprensa, o líder parlamentar do Chega/Açores, José Pacheco, afirmou que o projeto acabou por ser rejeitado “porque é do Chega”, criticando o que considera ser uma postura que não contribui para esclarecer a opinião pública.

José Pacheco sublinhou ainda que “uma coisa que as pessoas não sabem, e que só ficaram a saber após o nosso debate de urgência no mês passado, é que desde 1995 que não há qualquer pagamento aos Açores pela utilização da Base das Lajes”.

O parlamentar criticou igualmente a posição do Bloco de Esquerda, referindo que a lógica apresentada seria semelhante à de “o dono da casa não deve pedir renda a quem lá vive”. Dirigindo-se ao PSD, acusou o partido de assumir “uma posição de medo”, afirmando que “têm medo de Luís Montenegro, têm medo do Trump, têm medo de mim, têm medo do PS”.

Relativamente ao PS, José Pacheco argumentou que o partido apresentou críticas ao diploma apesar de, em 2012, ter apresentado uma proposta semelhante.

Na declaração final de voto, citada na nota de imprensa, o líder parlamentar do Chega lamentou que “as palas ideológicas” tenham impedido o avanço de “um assunto fundamental para a Região”, concluindo que o partido teve “essa coragem” e que “primeiro [está] a nossa terra e só depois os outros”.

DEBATE PARLAMENTAR

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