
Há anos que ouço o tilintar destas palavras aos meus ouvidos, mas custava-me aceitar que fossem mesmo verdade. Entretanto o TEMPO… Esse grande mestre do ensinamento e, da clarificação da realidade, acaba-nos dando a prova real, de que cada povo, tem mesmo aquilo que merece!
Olhando à minha volta, achava que eram ilusórias essas palavras, quiçá provenientes de um pensamento deveras retrógrado. Havia lá povo mais sábio, mais merecedor da confiança, do que o povo da minha aldeia, da minha cidade, ou da minha Ilha!
Acabei concluindo, que merecer não basta, quando não se faz por o conseguir! Que a sabedoria não dá frutos, quando não adubada pela persistência na concretização dos objetivos.
Posto isto, usando uma linguagem futebolística, decidi mudar da posição de ponta de lança, para defesa central… Acabei cansando de lançar bolas para a baliza e ser considerado fora de jogo, não só pelo árbitro, como também pelos adeptos… Mas o povo? Esse há de receber a recompensa, precisamente daquilo que merece…
Serei um defensor acérrimo na defesa da minha honra, da minha palavra e dos meus direitos como cidadão livre e responsável pelas minhas atitudes e pelos meus deveres. E de resto? Ficarei hibernado no meu casulo, até que seja posta em causa a minha integridade moral e cívica.
O meu avô era um sábio! Quantas vezes me dizia: Meu neto, sinto muito orgulho na tua persistência em quereres estudar para seres alguém na vida. Gostas da leitura, entusiasmas-te com a escrita, tens alguma veia poética. Aproveita o dom que tens, atira-o cá pra fora, que muito contente fico! Só te sugiro uma coisa. Que nunca sejas político. A política e a poesia não combinam. Enquanto a primeira é capaz de não olhar a meios para atingir os seus objetivos, a segunda é potenciada pela afirmação do carácter, na concretização do sonho e da infinidade do AMOR!
Cada povo tem aquilo que merece! Como parte desse povo, resigno-me também àquilo que mereço…
Fernando Mendonça
