
A presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória defendeu que a Base das Lajes deve afirmar-se como um “nó logístico” entre os continentes europeu e americano, sublinhando o potencial estratégico da infraestrutura para além da sua vertente militar.
A presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória, Vânia Ferreira, defendeu que a Base das Lajes deve posicionar-se como um “nó logístico” entre os continentes europeu e americano, sublinhando o potencial estratégico da infraestrutura localizada no concelho.
Segundo uma nota de imprensa divulgada na quinta-feira, 16 de abril, pelo Gabinete de Comunicação da autarquia, a autarca intervinha na conferência “Ano OE para Segurança e Defesa”, que decorreu na quarta-feira, 15 de abril, na Base Aérea n.º 4.
Na ocasião, Vânia Ferreira considerou que a valorização da Base das Lajes “deve ir além da sua vocação militar”, defendendo uma estratégia mais abrangente para potenciar o papel da infraestrutura no contexto atlântico.
“A Base das Lajes reúne condições únicas para se posicionar como um verdadeiro nó logístico entre continentes. A sua localização privilegiada permite uma capacidade de projeção, apoio e monitorização no Atlântico que poucos territórios no mundo podem oferecer. Esta é uma vantagem estratégica que não podemos ignorar — e, mais do que isso, que devemos potenciar”, afirmou.
A autarca sublinhou que, para concretizar esse objetivo, é essencial apostar “na fixação de recursos, na atração de talento, na qualificação das nossas infraestruturas e na criação de condições que estimulem o desenvolvimento de novas atividades”.
Na sua intervenção, Vânia Ferreira destacou ainda o crescente papel do Atlântico no atual cenário geopolítico, considerando que o oceano voltou a afirmar-se como “espaço vital de circulação, de segurança e de projeção de poder”.
“A proteção das rotas, das infraestruturas críticas, dos recursos naturais e das cadeias logísticas exige uma abordagem integrada e multidimensional. É aqui que emerge o conceito de ‘segurança alargada’ — um conceito que ultrapassa a visão tradicional da defesa e incorpora novas dimensões, como a cibersegurança, a vigilância marítima, a proteção ambiental e a resposta a crises complexas”, defendeu.
Segundo a presidente da Câmara Municipal, a Praia da Vitória reúne condições para se afirmar como uma verdadeira plataforma atlântica, tanto no domínio aéreo como no naval, embora essa ambição exija “visão, investimento e, sobretudo, concretização”.
Neste contexto, a autarca considera urgente a captação de projetos estruturantes que representem “oportunidades claras para o futuro, quer no domínio do mar, do clima ou do espaço”.
“Urgem projetos que funcionem como instrumentos capazes de reforçar concretamente a centralidade do nosso território, de atrair conhecimento e de posicionar a Praia da Vitória como referência internacional nas áreas da segurança e da cooperação atlântica”, afirmou.
No final da sua intervenção, Vânia Ferreira sublinhou que “o Atlântico voltou ao centro do mundo, e que a Praia da Vitória está no centro do Atlântico”, defendendo que esta realidade representa simultaneamente uma responsabilidade e uma oportunidade para o território.
“É tempo de ler e interpretar os sinais dos tempos num quadro temporal a 10 ou 15 anos, e concretizar projetos e iniciativas que garantam o cabal aproveitamento das potencialidades que, ano após ano, vão sendo referidas”, concluiu.
A conferência “Ano OE para Segurança e Defesa” foi organizada pela Ordem dos Engenheiros.
© GC-CMPV | Foto: GC-CMPV | PE
