40.º ANIVERSÁRIO DE ELEVAÇÃO DA PRAIA DA VITÓRIA A CIDADE: “CARTA AOS FILHOS”

Discurso proferido por Nivalda Bettencourt, do grupo municipal do PS, na Sessão Extraordinária da Assembleia Municipal da Praia da Vitória comemorativa do 40º Aniversário da Elevação da Praia da Vitória a Cidade, em 20 de junho de 2021.

CARTA AOS FILHOS

Neste dia de comemoração da elevação da Praia da Vitória a cidade, permitam-me que vos leia uma carta. Uma carta aos filhos. Aos meus filhos. E porquê aos meus? Porque eles nasceram na Praia. No centro da Praia. E talvez esta carta possa ser, também, para todos os filhos da Praia.

Querida Mariana, querido Daniel, querida Carlota,

A mãe escreveu-vos esta carta, numa altura em que vocês não tinham idade para autorizar que a mãe a lesse, num dia tão importante para a nossa Praia. Precisamente o dia das comemorações da sua elevação a cidade. E justamente perante uma plateia que defende a  Praia da Vitória, ou não fosse esta a Assembleia Municipal da Praia da Vitória, da qual a mãe faz parte, com muito orgulho.

Sendo vocês de tão tenra idade, e não tendo a capacidade de compreender, decidi escrever esta carta para que, mais tarde, possam entender o porquê de termos escolhido a cidade da Praia da Vitória para nosso lar.

Como a mãe já vos disse, eu nasci na Vila das Lajes, freguesia na altura, e sempre pensei que seria lá que construiria a minha vida, a minha família, o meu lar. Mas a vida dá muitas voltas meus filhos, e foi na Praia que tudo isso acabou por acontecer, ou pelo menos foi aqui que começou.

Confesso que com a vossa “chegada”, a perceção do que é viver na cidade onde nasceu Nemésio foi-se clareando, foi ficando mais autêntica, e ao mesmo tempo que vos fui vendo crescer, nos poucos anos que vocês têm, também foi crescendo o meu amor por esta Praia que vivemos.

Dizer-vos que aprendi convosco a gostar de ir à Praia, sim à praia de banhos, a de areia. E mesmo sendo nós dois adultos, três crianças, quatro baldinhos, cinco pás, mochilas com toalhas, lanches, mudas de roupa, fraldas, toalhitas à descrição e ainda com uma birra a meio do caminho, não levamos mais do que três minutos a chegar ao areal.

Antes de vocês chegarem ao mundo, a praia parecia-me muito mais longe. Mesmo que a logística necessária fosse apenas a toalha debaixo do braço e o bater do chinelo até à praia.

Gostar da Praia filhos, é gostar de ver os barquinhos na nossa baía como vocês tanto adoram. É querer entrar num barquinho à vela que vemos ao longe, daqueles dos desportos náuticos que o Clube Naval organiza, que dá origem a mais uma birra que nós não temos forma de evitar por não vos levarmos, por enquanto, a este tipo de atividades. Mas conseguimos controlar a situação quando vos é prometido um passeio na baía no barco do avô, “amarrado” na Marina. É maior e mais seguro, dizemos.

Revemo-nos nas vossas conversas… “Como é diferente a praia vista daqui” dizes tu, Mariana! “Posso conduzir o barco avô?” dizes tu Daniel.

E na falta de barquinhos na baía para vocês contarem ou de disponibilidade do mestre do barco, há sempre a marginal, que nos permite longos e saborosos passeios em família onde simplesmente vemos a areia e o mar. Ou tornando-a na vossa pista preferida para corridas de bicicleta, triciclo e trotinete.

Na verdade filhos, nem nos damos conta do privilégio de viver a três minutos da praia de banhos e a cinco da Marina. E não, não é um luxo de quem pode. É uma forma de vida, um privilégio de quem vive na Praia da Vitória.

Aprendi convosco a adorar passear na Rua de Jesus, e sim, com a rua vazia como muitos não a querem. Mas ao mesmo tempo cheia de tudo.

A mãe já teve comércio na Praia e percebe bem ao que se referem quando não querem que a Praia esteja deserta. Mas para gostar da Praia, da nossa Praia, não precisamos falar de economia e turismo, sabendo muito bem da sua importância para o desenvolvimento da cidade. Para gostar da Praia temos que a sentir, gostar dela como ela é, por tudo o que nos diz através da sua história, das suas histórias.

É incrível, terem a oportunidade de poder frequentar a creche, na cidade. No vosso caso no Paul! Quem diria. E lá, terem experiências fantásticas como mexer na terra, cultivar, ter contato com os animais. Sim filhos, na Praia! 

Sair de casa, virar à direita, e ter a sede de uma filarmónica centenária, e ao virar à esquerda, ter a sede da colectividade desportiva com maior relevo no concelho, não é para todos!

Sendo eu uma filha das Lajes, não posso deixar de admitir que, pelo fato de saber que um dos vossos bisavôs, conhecido como o “Chico do Bombo”, que fez parte durante anos da Filarmónica União Praiense e que outro vosso bisavô esteve na origem da criação do Sport Clube Praiense e posteriormente do Clube dos Brancos, sendo inicialmente conhecido como o “Clube dos Caixões” pelas características óbvias do espaço em que reuniam, para alimentação do sonho desportivo, de vos dizer meus filhos, que vos sinto Praienses! Que vos sinto da Praia!

Vocês são pequeninos, e ainda não frequentam o primeiro ciclo, mas… “crescem rápido”, dizem. E é verdade! Tu Mariana, no próximo ano letivo, já irás frequentar o primeiro ciclo na Escola Básica Integrada da Praia da Vitória, ou na “Francisco Ornelas da Câmara” como era conhecida na minha altura, tendo acesso ao conservatório de música. Às aulas de canto que tanto adoras. Já não é necessário saírem do concelho.

Sim, podes fazê-lo na própria escola. Sim, Mariana… Na Praia da Vitória.

Meus filhos… Não vos poderei exigir que gostem da Praia ou que sintam uma ligação forte por esta cidade e concelho, sem que isso seja natural… orgânico.

Nem vos poderei dizer o que é certo sentirem ou acharem. O que é certo ou errado sentirem, é vosso!

Mesmo sendo tão novos, principalmente tu Mariana, não há uma única vez que desças a rua de Jesus que não me perguntes, “E a Festa da Praia?” Filha, por causa do vírus não é possível haver festa. Para o ano voltará a acontecer, a cidade voltará a iluminar-se do largo da luz à zona verde e cada recanto da cidade estará cheio de gente, de cor, de alegria. Voltaremos a ver os cortejos, os desfiles, as touradas. A cidade encher-se-á de vida e voltará a marchar ao ritmo da música.

E não será o som do “Music Resort”, que nos tirará o sono. São dez dias de festa. dez dias de Festas da Praia! Somos Praienses! Não somos apenas moradores da Praia. E não somos apenas tolerantes. Somos amantes de tudo o que envolve a Praia e a sua dinâmica.

Queridos filhos, Mariana, Daniel e Carlota,

Há sensivelmente 192 anos, a baía da Cidade da Praia da Vitória foi palco de uma dura batalha que se caracterizou pela tentativa de invasão da força Miguelista (defensora do absolutismo), na baía da então Vila da Praia. A derrota desta força frente aos liberais foi fundamental na história portuguesa, pela difusão dos ideais liberais na ilha e posteriormente em todo o país.

Hoje, celebramos o 40º aniversário da elevação da Vila da Praia da Vitória, a Cidade. A Vossa Cidade meus filhos!”

Parabéns à Praia. Parabéns aos Praienses! Esta é a Nossa Cidade!”

Nivalda Bettencourt
Deputada do grupo municipal do PS
Academia da Juventude e das Artes da Ilha Terceira — 20 de junho de 2021.

Foto: © Rui Sousa

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s