EDUCAÇÃO, CULTURA E CIDADANIA

Sofia Ribeiro

Somos uma Região muito rica culturalmente. Nas mais variadas áreas de expressão literária e artística temos vários nomes de referência nacional, do passado e do presente, que levam mais longe os Açores e marcam a açorianidade. A cultura é, indubitavelmente, um veículo de identificação social, que nos distingue do resto do Mundo, fundada num acervo único, mas é também processo de transformação social, de exercício e de estímulo à cidadania. Se quisermos analisar o nível de desenvolvimento de uma comunidade, atentemos à forma como protege a sua cultura, mas acima de tudo como a promove, não somente na sua dimensão enquanto produto, mas enquanto veículo de integração e valorização social.

Temos vindo a assistir a um processo de democratização da cultura. A globalização e as novas tecnologias de informação e comunicação que potenciaram o acesso a produtos e serviços, contribuíram substancialmente para uma maior equidade neste domínio. À distância de um clique, podemos até mesmo visitar virtualmente museus, aceder a espetáculos, ou ler um bom livro, o que só era apanágio dos mais abastados. O acesso à cultura deixou de ser privilégio de poucos, sendo cada vez mais universal. O próprio poder local tem multiplicado o investimento nesta área, ainda que mais num prisma de entretenimento, com a proliferação de concertos musicais, do que de promoção da diversidade e da criação cultural.

Mas o investimento em cultura numa sociedade não pode limitar-se ao acesso a um bem, numa perspetiva totalmente passiva, antes deve centrar-se na forma como se potencia e estimula a expressão cultural de cada indivíduo. Falo, pois, de uma perspetiva de desenvolvimento de dinâmicas de criação cultural, num processo ativo do exercício da cidadania. Nesta área, as nossas bandas filarmónicas, os nossos grupos corais (muitas vezes religiosos) e os nossos grupos de folclore têm assumido um papel fundamental na massificação da expressão cultural, abrindo a toda a comunidade a capacidade de cada indivíduo se expressar e desenvolver artisticamente. Mas enquanto veículo de integração social, é preciso que se atente à criação cultural nas mais variadas áreas, nomeadamente como garantir a universalidade também no acesso à criação no âmbito da pintura, da escultura, da dança ou das artes dramáticas, de entre outras. Justifica-se, assim, uma profunda reflexão sobre os fundamentos da educação, muito para além das ciências aplicadas ou fundamentais, mas integrando, também, os objetivos e finalidades da educação artística.

Importa avaliar o que se ensina nas nossas escolas, quer na educação básica, quer na especializada, em que os Conservatórios Regionais têm um papel preponderante, que deve ser distinto e diversificado nas diferentes áreas de expressão artística. Mas não devemos ater-nos à dimensão curricular da educação formal no domínio artístico, há que assumir o protagonismo que a escola pode ter na sua integração comunitária e explorar mecanismos de cooptação de cada escola com as associações culturais da localidade em que se insere, numa visão articulada da educação para a cidadania, na qual a cultura é pilar estruturante.

Sofia Ribeiro
www.facebook.com/maisacores
sribeiro.maisacores@gmail.com

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