
O presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA), Luís Garcia, defendeu que a Autonomia deve transformar a diversidade insular e a posição geoestratégica do arquipélago em fatores de coesão, desenvolvimento e criação de oportunidades para todas as ilhas, conciliando as especificidades de cada território com uma visão regional comum.
A Autonomia deve garantir que as diferenças entre as nove ilhas não se traduzam em desigualdades no acesso aos serviços, ao investimento e à qualidade de vida, defendeu Luís Garcia, na sessão de encerramento do IX Colóquio “O Faial e a Periferia Açoriana nos Séculos XV a XX”, que decorreu no Hotel Horta, na ilha do Faial.
Segundo uma nota de imprensa da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, o presidente do Parlamento açoriano considerou que a condição periférica das ilhas não deve ser encarada apenas como um constrangimento geográfico, mas também como uma oportunidade para valorizar os recursos, a identidade e as potencialidades de cada comunidade.
“A Autonomia permitiu-nos construir um projeto regional comum, mas continua a exigir uma atenção permanente às necessidades e especificidades de cada uma das nossas nove ilhas e uma estratégia capaz de criar condições para que todas possam afirmar as suas capacidades e potencialidades”, afirmou.
Para Luís Garcia, a coesão regional não significa procurar uma igualdade artificial entre ilhas com dimensões e realidades distintas, mas assegurar que as diferenças não condicionam as oportunidades dos respetivos territórios.
“A verdadeira coesão regional não exige que as ilhas sejam iguais”, sublinhou, acrescentando que a unidade dos Açores se constrói através do reconhecimento das diferenças, da solidariedade entre as ilhas e da valorização do contributo de cada uma para o desenvolvimento regional.
CENTRALIDADE GEOESTRATÉGICA COMO OPORTUNIDADE
Na sua intervenção, o presidente da ALRAA destacou também a posição geoestratégica dos Açores no Atlântico, defendendo que o arquipélago deve ultrapassar uma visão exclusivamente periférica da sua localização e assumir a centralidade que ocupa nas relações entre continentes.
A este propósito, recordou o papel histórico da cidade da Horta nas ligações transatlânticas, através dos cabos submarinos, das comunicações e da navegação, considerando que o percurso do Faial demonstra como uma ilha geograficamente periférica pode assumir uma posição de centralidade internacional.
Luís Garcia salientou ainda a importância crescente do Atlântico nas dimensões geopolítica, económica, científica, ambiental e de segurança, considerando que a localização dos Açores constitui um ativo estratégico para Portugal e para a Europa.
“Transformar essa centralidade geográfica e geoestratégica em oportunidades económicas, científicas e políticas e em desenvolvimento para a Região constitui um dos maiores desafios da Autonomia nos próximos anos”, afirmou.
INVESTIGAÇÃO HISTÓRICA E PARTICIPAÇÃO CÍVICA
O presidente do Parlamento açoriano destacou igualmente a importância da investigação histórica, do associativismo e da participação cívica para a construção de uma sociedade mais interventiva, considerando que iniciativas como o Colóquio contribuem para aprofundar o conhecimento sobre a história das ilhas e reforçar a identidade açoriana.
Neste contexto, alertou para a necessidade de contrariar o défice de participação e de cidadania ativa na Região, defendendo que “cultivar e incentivar a cidadania deve ser, também, um desígnio permanente da Autonomia”.
No encerramento da iniciativa, Luís Garcia felicitou a Câmara Municipal da Horta, o Núcleo Cultural da Horta e o CHAM – Centro de Humanidades pela organização da nona edição do Colóquio, reconhecendo o contributo do encontro para a investigação e reflexão sobre a história do Faial e das restantes ilhas açorianas.
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