
Já passa das quatro da tarde, o sol ainda resplandece sobre a nobre baía da Praia da Vitória, onde alguns banhistas se avistam na Praia Grande, gozando de uma temperatura um pouco anormal para o mês de Novembro. É Outono, mas o São Martinho parece ter decidido chegar mais cedo à cidade de Nemésio, quiçá, para também celebrar o “Outono Vivo”!
Ficar em casa com este tempo é quase imperdoável…
Porque não fazer uma caminhada e aproveitar esta tarde, a que podemos chamar de verão? É isso que faço. Meto-me na minha viatura, conduzo até à cidade e estaciono no Largo da Batalha.
Nada melhor para iniciar o percurso da caminhada, do que aproximar-me da muralha e respirar o ar puro da maresia, que lentamente se vai desfazendo no areal.

Entretanto, olho para a minha direita e vejo que aquelas toneladas de areia que foram trazidas do outro lado da baía para reforçar a segurança da multicentenária muralha, foram todas devolvidas à sua proveniência. O Mar volta de novo a mostrar ser Dono e Senhor do seu terreno. Insistir na alteração da sua vontade, imposta pela natureza, deve ser considerado tempo e dinheiro perdidos…
Avanço em frente, passando pelo Passeio dos Sombras, onde se inicia a chamada Praia Grande, protegida em toda sua área, pela simbólica muralha de proteção, com vários séculos de idade. Ao fundo, já se avista a Serra do Facho, resguardo da cidade, quando da vinda do tempo Norte e, também poiso da imagem do Sagrado Coração de Maria, que durante a noite resplandece no alto, trazendo a quem a vislumbra, um simbolismo de conforto e de segurança, seja a quem caminha, ou ao pescador que se aproxima da baía.
Um pouco mais adiante, entro no Passeio dos Poetas, simbólica homenagem aos vários poetas e poetisas, que com a sua escrita, deixaram memórias para a eternidade, ali gravadas naquelas pedras de cantaria, colocadas e manuseadas por sábios pedreiros, nossos antepassados.
No muro contíguo ao areal, um pombo pousava calmamente, fixado na sua companheira, que o tinha deixado sozinho, a fim de procurar na areia alguma coisa para se alimentar.
Quase chegando ao fim do meu percurso, sempre junto à muralha, decido descansar um pouco num banco situado em frente à Marina, repleta de veleiros ali ancorados, vindos dos mais variados cantos do Mundo, por vezes, há vários anos.

O mar como atrás referi, Dono e Senhor do seu espaço, aproveitando a areia que lhe trouxeram de novo por força da natureza, decide criar uma nova Prainha, a qual no meu imaginário, me atrevo a batizar de “PRAINHA BEACH”.
Na verdade, caminhar junto a esta nobre baía da Praia da Vitória, é sem dúvida um regalo para a vista e, um monte de inesperadas surpresas concedidas pela natureza que nos rodeia a cada passo que damos.
Fernando Mendonça
