O CARRO À FRENTE DOS BOIS, ASSIM ME CONTAVA O MEU PAI

Meu pai contava-me, que embora com muita dificuldade, porque não havia dinheiro, tinha também comprado às prestações, um “Carro de Bois”, como se chamava no tempo, com o apoio de um amigo um pouco mais endinheirado.

A finalidade do mesmo, seria para servir na pequena lavoura que possuía e, ainda também, para transportar a família no dia de bodo, como ainda se vê, nomeadamente na Freguesia da Vila Nova. Embora sejam agora levados por tratores até ao local da tradicional festividade.

Agricultor de pequena dimensão, com apenas duas ou três vaquinhas e com pouco terreno, não lhe era possível adquirir uns bons bois para puxarem o carro, poder mantê-los e muito menos os pagar…

Enquanto meu pai me contava esta sua história do passado, em tom de brincadeira dizia-lhe eu: Então o pai como se diz agora, “andou com o carro à frente dos bois”!

Claro que teve de ser assim, porque não havia subsídios, nem qualquer tipo de apoio para quem quisesse investir. A única forma, seria a prova de honestidade no negócio e o apoio de um amigo, que pudesse adiantar o dinheiro, para se ir pagando lentamente.

Se a conversa fosse hoje, acrescentava que não havia PRR (Plano de Recuperação e Resiliência), aproveitado pelo atuais governos em comprar o carro (deixem passar a metáfora…) porque os bois vêm depois, mais que não seja, podem sempre aproveitar os seus Boys para andarem o carro pra frente…

Claro que hoje em dia, já não se anda com um simples carro à frente dos bois…

Aposta-se muito mais forte! Se o veiculo (carro, barco ou até mesmo avião é subsidiado) avança-se de imediato para a compra. Condutores e manutenção virão depois, nem que se tenha de aumentar a dívida pública… Pois que se lixe! Temos 245.000 alminhas nos Açores (embora já tesas da carteira…) prontas a pagar a fatura!

Fernando Mendonça