
O eurodeputado açoriano Paulo do Nascimento Cabral destacou, em Bruxelas, a importância estratégica da indústria conserveira para a segurança alimentar, a autonomia estratégica e a competitividade da União Europeia, sublinhando o peso do setor nos Açores.
Paulo do Nascimento Cabral foi anfitrião, no Parlamento Europeu, da conferência “Portugal Conserva – O Mar Português na Europa”, realizada no âmbito da EU Ocean Week e dedicada ao papel estratégico da indústria conserveira na Europa.
Segundo o comunicado de imprensa divulgado sexta-feira pelo Gabinete do Eurodeputado, o evento foi organizado em parceria com a Associação Nacional dos Industriais de Conservas de Peixe (ANICP) e contou com a participação do Secretário de Estado das Pescas e do Mar, Salvador Malheiro, de representantes das instituições europeias e do setor.
Na abertura, Paulo do Nascimento Cabral salientou que “a Europa está a consumir mais produtos do mar, enquanto produz menos”, apontando para a diminuição da pesca na União Europeia nos últimos 20 anos e para a evolução da aquicultura.
“Nos últimos 20 anos, a pesca diminuiu 2,3 %, na União Europeia enquanto a nível global estagnou ou diminuiu. A aquicultura, na produção mundial aumentou 5%, na UE diminuiu 0,7%. Isto coloca desafios no acesso à matéria-prima para a indústria, como também a concorrência desleal de países terceiros neste setor”, afirmou.
O eurodeputado defendeu, neste contexto, o reforço da capacidade europeia para produzir, transformar, conservar e acrescentar valor aos produtos do mar.
“Isto não é apenas uma questão de pescas. É uma questão cultural pois é um setor tradicional em Portugal, de segurança alimentar, de autonomia estratégica e de competitividade industrial”, acrescentou.
AÇORES COM CERCA DE 750 TRABALHADORES NO SETOR
Paulo do Nascimento Cabral destacou também a dimensão da indústria conserveira nos Açores. De acordo com os dados apresentados na conferência, o setor empregava na Região cerca de 750 trabalhadores em 2025, tendo saído dos Açores aproximadamente 10 718 toneladas de conservas e preparados de peixe, no valor de cerca de 75,5 milhões de euros.
O eurodeputado salientou, por isso, a “relevância particular dos Açores, enquanto única região ultraperiférica da União Europeia, com uma indústria conserveira”, destacando igualmente a presença de Rogério Veiros, da Indústria de Santa Catarina, de São Jorge.
A importância da indústria conserveira a nível nacional foi também abordada pelo Secretário de Estado das Pescas e do Mar. Salvador Malheiro destacou o peso histórico e económico do setor e defendeu que “não podemos abdicar deste setor no próximo Quadro Financeiro Plurianual”.
Segundo o governante, a modernização, a eficiência energética e a competitividade devem constituir áreas prioritárias de investimento.
A conferência incluiu ainda dois painéis, dedicados à competitividade e resiliência da indústria alimentar europeia e ao comércio, às condições de concorrência equitativas e à competitividade europeia. A sessão contou igualmente com a participação da Presidente da Comissão das Pescas do Parlamento Europeu.
No encerramento, Paulo do Nascimento Cabral destacou “a unanimidade no apoio ao setor, no reconhecimento das dificuldades que atravessa, dos desafios do comércio global e da necessidade de apostar na modernização e na eficiência energética”.
“Podem contar connosco na defesa deste setor e de toda a cadeia de valor das pescas”, afirmou o eurodeputado açoriano.
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