PS/AÇORES QUESTIONA ATRASO NA PREPARAÇÃO DO INVERNO TURÍSTICO

Marlene Damião questiona o que considera ser um atraso na preparação da resposta do Governo Regional para o Inverno IATA 2026/2027, depois de vários meses marcados por dificuldades na atividade turística e pela redução da conectividade aérea.

“Os sinais estavam à vista e deveriam ter levado o Governo a fazer mais, melhor e, sobretudo, mais cedo. Depois de meses difíceis para muitas empresas ligadas ao turismo, não podemos chegar ao final de setembro a começar a preparar uma resposta para um inverno que está praticamente à porta”, afirma a deputada socialista.

Num comunicado de imprensa divulgado hoje pelo PS/Açores, Marlene Damião recorda que a secretária regional do Turismo anunciou, em abril, a preparação de um plano promocional para o inverno 2026/2027. A deputada considera, por isso, necessário esclarecer o que foi feito desde então e por que razão a campanha não está já operacionalizada.

“Se queremos que os Açores sejam um destino turístico de todo o ano, temos de começar a preparar o inverno quando ainda estamos no inverno anterior. O Inverno IATA não pode continuar a ser tratado como uma época residual ou como uma campanha de última hora”, defende.

Segundo os dados citados pelo PS/Açores, no segundo trimestre de 2026 desembarcaram nos aeroportos da Região menos 70.541 passageiros do que no mesmo período de 2025, uma redução de 10,4%. O partido refere ainda que, desde abril, os Açores perderam mais de 100 mil passageiros nos aeroportos e que, entre abril e julho, foram registadas menos 71.627 dormidas nos alojamentos turísticos.

A saída da Ryanair é apontada por Marlene Damião como um fator que agravou as preocupações relativas à conectividade aérea e aos efeitos da redução da procura nas empresas de alojamento, restauração, animação turística e rent-a-car. A necessidade de substituir a capacidade perdida com a saída da companhia já tinha sido assinalada publicamente por responsáveis do setor e pelo próprio Governo Regional.

“O setor tem vindo a alertar para um inverno difícil e para a possibilidade de 2026 trazer os piores resultados de sempre, mas o Governo Regional tarda em dar respostas e apresentar soluções”, afirma a deputada.

Neste contexto, os deputados do Grupo Parlamentar do PS/Açores questionaram, por escrito, o Governo Regional sobre o impacto económico da saída da Ryanair, as diligências realizadas para recuperar rotas e capacidade aérea, a estratégia para os mercados emissores europeus e as respostas e apoios previstos para as empresas mais afetadas pela quebra do turismo.

Marlene Damião refere também o Fundo de Captação de Rotas proposto pelo PS e aprovado pela Assembleia Legislativa em maio. O enquadramento legislativo do Fundo de Desenvolvimento de Rotas Aéreas dos Açores foi posteriormente publicado em Diário da República, em junho.

A deputada considera que o anúncio de que o instrumento foi remetido para apreciação prévia da Comissão Europeia demonstra que o fundo ainda não está operacional, numa altura em que, segundo o PS/Açores, deveria já poder contribuir para reforçar a conectividade e apoiar a captação de novas rotas.

O PS/Açores defende ainda que a promoção turística deve ser articulada com a conectividade aérea e com uma estratégia de combate à sazonalidade, envolvendo mercados prioritários, operadores, companhias aéreas e a restante cadeia de valor do turismo.

“Promoção turística e conectividade aérea têm de ser trabalhadas em conjunto. Não basta anunciar uma campanha: é preciso saber onde queremos captar procura, com que mercados, operadores, ligações aéreas, investimento e objetivos concretos”, sustenta Marlene Damião.

“O setor não consegue planear em cima da hora. O Governo também não pode governar em cima da hora”, conclui a deputada socialista.

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