
Completou-se o PRR (Plano de Recuperação e Resiliência), inclusivamente excederam-se as expetativas, ultrapassando todas as metas requeridas pela União Europeia.
Resta agora que se faça uma análise profunda, sobre a utilização de todos esses benditos fundos, concedidos para contrapor a malfadada crise do COVID-19. Como foram gastos e, de que modo poderão contribuir para a melhoria do estado de vida dos Açorianos?
Que não se vislumbre o exemplo recentemente anunciado pela comunicação social, sobre a inauguração da nova escola secundária de Cascais, onde se gastaram 175 mil euros provenientes do PRR, única e simplesmente para com todas as honras receber suas Excelências, Sr. Presidente da República, Sr. Primeiro Ministro, Cardeal Patriarca de Lisboa e as demais autoridades e convidados para tão elevada manifestação de apreço por uma obra de luxo, que parece ter excedido os 10 milhões de euros, também do PRR…
Não sei se esteve presente a Sra. Ministra do Ambiente, mas se sim, duvido muito que tenha ido à boleia do Primeiro Ministro para poupar combustível…
Que se lixem as escolas por este país fora, que têm falta de salas para todos os alunos, metem água pelo teto, não dispõem de aquecimento e outras necessidades básicas para o seu bom funcionamento e qualidade de vida dos alunos!
Não se iludem os Açorianos, intitulava eu este artigo de opinião. Se algumas dúvidas sobre os contínuos anúncios do Governo Regional, nomeadamente através do seu Presidente e do Secretário das Finanças, em como está tudo bem, respira-se boa saúde económica, inclusive nos hospitais da Região… Conviria talvez, que ouvissem a opinião e os alertas de alguns especialistas em economia e gestão da Universidade dos Açores.
Ouçam também a última edição do “Conselho de Redação” realizado no passado dia 17 de Setembro, coordenado pela jornalista Ana Filipa Ferreira e com a participação das conceituadas jornalistas Paula Gouveia do Açoriano Oriental, Carolina Moreira da Antena um, Helena Fagundes do Diário Insular e o sobejamente conhecido e habitual participante deste programa, jornalista Osvaldo Cabral.
Todas/o concluem que o PRR foi executado na sua totalidade, mas aparentemente mal aproveitado, nomeadamente na área da habitação e, apressadamente feito na sua última fase de conclusão. Ainda há muito para concluir e dinheiro para gastar, o qual vai acabar por afetar o próximo orçamento para 2027, antecipando-se um ano bastante difícil no aspeto orçamental da região, logo também para os açorianos. Isto sem contar com a imprevisibilidade do que possa acontecer na Europa e no Mundo. Como conclusão final do referido diálogo entre o/as participantes, pode haver muitas intenções e boas vontades, mas NÃO HÁ DINHEIRO!
No que diz respeito à Ilha Terceira, em relação às estradas, basicamente concluiu-se finalmente cerca de uma centena de metros de asfaltagem na Freguesia do Raminho e a circular interna que liga a Vitorino Nemésio à rotunda do KFC, ainda não terminada. Investiu-se na parte mais fácil, doando viaturas elétricas às mais variadas instituições de saúde e de solidariedade social, mas as mesmas terão sol de pouca dura, porque tal como as restantes, vão ter de suportar covas e mais covas na sua circulação por toda a Ilha…
Na habitação, louvemos a iniciativa da obra feita no chamado Bairro dos Americanos, por outro lado lamenta-se a incrementação e crescimento dos Bairros Sociais, já sobejamente conhecida como de fácil execução, mas de má projeção do futuro para uma sociedade responsável e humanista.
Louvemos também a instalação no HSEIT da máquina da hemodinâmica, a qual será de importância vital para os Terceirenses e restantes habitantes do Grupo Central, mas de novo, lamenta-se a polémica criada, ao afirmarem que a mesma estava pronta para uso, inclusive por deputados da Ilha mal informados, o que me leva a aceitar a declaração de um antigo responsável do PSD, ao dizer que tínhamos no momento o pior grupo parlamentar alguma vez eleito pela Terceira para aquele Partido…
Fernando Mendonça
