
Praia da Vitória, faz hoje 45 anos, que te deram o nome de cidade. Sinto-me honrado pelo título que te concederam, no entanto, partilho a saudade de quando eras apenas Vila! Das tuas ruas cheias de gente, dos tantos cafés que abundavam na histórica Rua de Jesus, desde o Largo da Luz à Avenida, onde ainda perdura um pouco da imagem do Café Arcada. Sem nomear todos, recordo o café do Tio Gil, onde a malta se sentava, ora numa alegre cavaqueira, ora reparando nas bonitas moças que passavam… Do Café Açores, de (George de Crook…) tipo Texas Bar… Recanto dos militares americanos e daquelas que os procuravam, porque precisavam de ganhar a vida…
Todos ganhavam dinheiro, todos se divertiam. Foi o chamado tempo das “Vacas Gordas”! Hoje somos a Novel Cidade da Praia da Vitória, com o seu passado, o que dele resta e a sua história. Honremos esse passado, vivamos o presente e acreditemos no seu futuro, dando-lhe de novo vida e, vontade de nela viver!
Passados todos estes anos de promessas vazias de conteúdo e de resultados objetivos, é tempo da concretização! Os responsáveis pela dinâmica do seu centro, nomeadamente da sua rua principal, não podem continuar reféns dos interesses pessoais de alguns…
Não se podem limitar, como por mim já referido, à criação de uma loja solidária e de uma agência funerária…
Os seus extremos não PODEM NEM DEVEM CONTINUAR SENDO PARAGEM OBRIGATÓRIA PARA O TURISMO, deixando o centro no mais profundo marasmo…
O largo da Igreja da Matriz, monumento histórico da nossa cidade, não pode nem deve, ter uma cancela com acesso reservado, (mesmo que pago) a parque de automóveis. Se a finalidade é contribuir para a manutenção da igreja, porque não cobrar um montante mínimo ao turista que a queira visitar? Qualquer turista aceitará de bom grado, uma vez que é um ato normal na maioria das regiões do país.
Não podemos continuar eternamente à espera da iniciativa privada, quando a mesma não vislumbra nenhum retorno. É sim, responsabilidade da autarquia criar incentivos aos investidores, sejam eles de cá ou de fora, para que se sintam entusiasmados.
Porque não dar o exemplo, instalando algumas valências municipais no centro da cidade, de momento ramificadas pelos arredores…
Posto este desabafo de quem ama a nossa Praia, de uma coisa não me livro, nem me afasto. Nela há 79 anos nascia, nela vivo entre a tristeza e a alegria e gostava de ver se nela morria!
Parabéns minha Praia, nossa Praia, nossa cidade!
Fernando Mendonça
