
O Presidente do Governo dos Açores defendeu, na Assembleia Legislativa Regional, que o reconhecimento da importância estratégica do arquipélago para Portugal deve traduzir-se em investimentos concretos do Estado em infraestruturas críticas, reforçando o papel dos Açores na segurança, defesa, ciência, tecnologia e economia atlântica.
O Presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, apelou ao Estado português para que acompanhe com investimentos concretos o crescente reconhecimento da relevância estratégica do arquipélago, defendendo uma aposta reforçada em infraestruturas críticas de interesse comum. A posição foi assumida durante uma intervenção no plenário da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, na Horta, segundo informação divulgada em nota de imprensa.
Na sua intervenção, o chefe do executivo açoriano enquadrou o momento político no contexto das comemorações dos 50 anos da Constituição da República Portuguesa e da autonomia política açoriana, destacando a escolha da ilha Terceira para as celebrações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.
José Manuel Bolieiro considerou que a decisão do Presidente da República, António José Seguro, representou não apenas uma homenagem à autonomia dos Açores, mas também um reconhecimento da importância do arquipélago para o futuro do país.
“Os Açores reforçam a soberania portuguesa do Atlântico”, afirmou, defendendo que Portugal deve reconhecer de forma “mais clara e objetiva” a importância geopolítica e geoeconómica da Região.
O Presidente do Governo Regional destacou ainda as mensagens transmitidas pelo Presidente da República e pelo presidente da Comissão Organizadora do Dia de Portugal, Miguel Monjardino, considerando que ambas identificaram os Açores como uma plataforma estratégica para a afirmação nacional no contexto internacional.
Segundo Bolieiro, os discursos proferidos nas comemorações de 10 de Junho evidenciaram o papel dos Açores em áreas como a segurança coletiva, a observação dos oceanos e da atmosfera, a investigação científica, as políticas espaciais, a economia azul e a sustentabilidade ambiental.
Apesar de saudar esse reconhecimento, o governante deixou um alerta ao país. “A valorização dos Açores, por palavras, não deve ser vã”, afirmou, defendendo que as declarações de natureza estratégica devem ter consequências práticas através do investimento público em infraestruturas essenciais para a afirmação da soberania nacional.
Entre as áreas apontadas como prioritárias estão a segurança, a defesa, a competitividade e o crescimento económico, num contexto marcado pelas transições climática, digital, energética e científica.
José Manuel Bolieiro apresentou os Açores como um “laboratório do futuro”, sublinhando o potencial da Região para desenvolver novas economias associadas ao mar, ao espaço, à energia e ao conhecimento.
No setor espacial, destacou o crescimento de Santa Maria enquanto polo emergente ligado à observação da Terra, à receção e processamento de dados de satélite e às novas atividades espaciais. Referiu igualmente os investimentos realizados nos radares meteorológicos instalados no arquipélago, considerando que colocam os Açores numa posição avançada na monitorização do Atlântico e das alterações ambientais.
A economia azul foi igualmente apontada como uma das prioridades estratégicas da Região. O Presidente do Governo Regional destacou os investimentos previstos num novo navio de investigação científica e no MARTEC – Centro de Tecnologia e Inovação para a Economia do Mar, estruturas que, segundo afirmou, permitirão aproximar a investigação científica da atividade económica e criar novas oportunidades de desenvolvimento.
“A economia azul é uma prioridade estratégica para a Região”, afirmou, defendendo que os Açores devem afirmar-se internacionalmente como um laboratório atlântico de excelência, onde ciência, inovação e sustentabilidade se complementam.
Na reta final da intervenção, José Manuel Bolieiro destacou ainda a importância da comunidade cultural açoriana espalhada pelo mundo, considerando-a um ativo estratégico para o futuro da Região e do país.
Citando Fernando Pessoa, o governante concluiu que a dimensão dos Açores ultrapassa largamente a sua realidade geográfica e demográfica, sustentando que “Portugal e a Europa são maiores com os Açores”.
DEBATE PARLAMENTAR
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