
O Presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, destacou a agricultura como um setor estratégico para o desenvolvimento económico, a coesão social e a identidade regional, durante a abertura da Feira Agrícola Açores 2026, em Angra do Heroísmo. Segundo uma nota de imprensa da Presidência do Governo Regional divulgada ontem, o governante revelou que o Valor Acrescentado Bruto (VAB) da agricultura atingiu, em 2024, o valor mais elevado dos últimos 30 anos, fixando-se nos 354 milhões de euros.
Na cerimónia de abertura da Feira Agrícola Açores 2026, realizada no Pavilhão Multiusos da Vinha Brava, em Angra do Heroísmo, José Manuel Bolieiro salientou a importância do certame como ponto de encontro de todos os intervenientes da cadeia de valor agrícola, desde a produção à transformação e distribuição.
“Esta é uma oportunidade para reunir os Açores, reunir a produção, a transformação e a distribuição em torno de um setor que tem uma cadeia de valor extraordinária para a nossa economia e para aquilo que fazemos nos Açores”, afirmou.
De acordo com a nota de imprensa, o líder do executivo açoriano defendeu que a criação de riqueza continua a ser um requisito essencial para o desenvolvimento económico e social da Região.
“Não é possível distribuir riqueza sem primeiro a criar. Não é possível dignificar a vivência humana sem trabalho, quer na sua dimensão individual, quer coletiva. O potencial da nossa natureza só se concretiza plenamente quando associado ao trabalho, ao conhecimento e à capacidade de inovar”, frisou.
José Manuel Bolieiro destacou ainda o papel do associativismo agrícola, classificando-o como um parceiro fundamental para o progresso do setor.
“O associativismo agrícola afirmou-se como um parceiro social relevante. Em cada associação, em cada ilha e em todo o arquipélago, louvo a capacidade de trabalho, a procura de soluções e a associação de inteligências que acompanha a dimensão da nossa ambição coletiva”, declarou.
O governante sublinhou igualmente que a agricultura representa muito mais do que uma atividade económica, constituindo um elemento central da cultura e da identidade açorianas.
“A agricultura é também cultura e identidade açoriana. Ninguém imaginaria visitar os Açores sem encontrar uma agricultura viva, capaz de contribuir para a autonomia alimentar das nossas ilhas e para a preservação da nossa autenticidade”, afirmou.
Durante a intervenção, José Manuel Bolieiro evidenciou os resultados alcançados pelo setor, apontando que o Valor Acrescentado Bruto da agricultura e das agroindústrias atingiu em 2024 os 354 milhões de euros, o valor mais elevado das últimas três décadas.
O Presidente do Governo destacou ainda o trabalho desenvolvido em conjunto com a Federação Agrícola dos Açores para garantir a inclusão dos agricultores açorianos em apoios nacionais.
“Foi possível reverter uma injustiça que estava a ser criada relativamente aos agricultores dos Açores, que estavam a ser excluídos de apoios nacionais. Hoje, por força da nossa capacidade reivindicativa, os agricultores açorianos estão incluídos nos apoios nacionais aos fertilizantes e à energia, o que é de total justiça”, salientou.
No âmbito das medidas de apoio ao setor, o governante reafirmou o compromisso do executivo em assegurar equilíbrio na cadeia de valor alimentar, compensando os custos acrescidos da condição arquipelágica e protegendo simultaneamente os consumidores.
“O principal beneficiário destas medidas é o consumidor e a economia regional, garantindo que os produtos chegam à mesa dos açorianos a preços comportáveis, sem comprometer a sustentabilidade da produção”, sustentou.
A nota de imprensa refere ainda que José Manuel Bolieiro anunciou a abertura, desde 1 de junho, das candidaturas para a reconversão de explorações leiteiras em explorações de produção de carne bovina nas ilhas de São Miguel, Terceira e Graciosa, com o objetivo de diversificar a atividade agrícola e reforçar a resiliência do setor.
Foi também anunciada para julho a abertura das candidaturas ao apoio às sementes de milho e sorgo referentes à campanha de 2025, com uma majoração de 30%, em resposta às intempéries registadas ao longo do ano. Segundo o Governo Regional, esta medida contribuiu para que os Açores atingissem, em 2025, uma área recorde de 14.500 hectares dedicados à produção de milho forrageiro.
Relativamente ao Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC), o Presidente do Governo revelou que o primeiro período de candidaturas, entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, permitiu aprovar apoios no valor de quatro milhões de euros para investimentos globais superiores a 5,1 milhões de euros em áreas como a bovinicultura de leite e carne, fruticultura, vitivinicultura e horticultura.
José Manuel Bolieiro anunciou ainda a abertura, durante o próximo mês de julho, de candidaturas para apoio à florestação de terras agrícolas e instalação de cortinas de abrigo, num montante global de três milhões de euros.
“Trata-se de uma oportunidade para aumentar a área florestal dos Açores, promovendo simultaneamente a sustentabilidade ambiental das explorações agrícolas e apoiando os produtores durante os primeiros anos deste investimento”, explicou.
A concluir, o Presidente do Governo dos Açores defendeu que os apoios nacionais destinados à agricultura devem abranger todo o território nacional, incluindo a Região Autónoma dos Açores.
“As ajudas nacionais têm de ser para todo o território nacional. Temos vindo a reivindicar junto do Governo da República que os Açores sejam incluídos nesses apoios. Não estamos a criar uma economia de dependência, mas sim a proteger uma economia real, produtiva, geradora de riqueza, emprego e desenvolvimento para os Açores”, concluiu.
A cerimónia contou ainda com a presença do Secretário Regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura, do presidente da Federação Agrícola dos Açores, Jorge Rita, do presidente da Associação Agrícola da Ilha Terceira, José Azevedo, do vice-presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, Guido Teles, e da presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória, Vânia Ferreira, entre outras entidades ligadas ao setor agrícola regional.
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