
Após a notícia trazida pela comunicação social sobre o leite biológico, passei hoje por uma superfície comercial a fim de ver os preços praticados pelo biológico e pelo milhafre meio gordo, ambos embalados e fornecidos pela Pronicol. Diferença evidente entre ambos, logo também, o leite normal, mais acessível aos bolsos da maioria dos açorianos.
Biológico 1, 45 cêntimos
Milhafre sem tampa 0,79 cêntimos
Milhafre com tampa 0,89 cêntimos
Perante esses preços, dá para perceber a dificuldade da venda do leite biológico numa região considerada a mais pobre do país…
O mesmo acontece com os sumos e outros produtos alimentares, que embora sejam de menor qualidade, acabam sendo os mais vendidos, porque o dinheiro não estica, quando se vive de fracos recursos.
Entendo a preocupação dos jovens produtores que tiveram a coragem de assumir essa inovação na Ilha Terceira e, acreditaram no seu potencial perante a sua qualidade.
Por outro lado também entendo a solução apresentada pela Pronicol, uma vez que o produto não está tendo saída, falhando com as anunciadas expetativas, aquando do contrato entre as duas partes.
Esse grupo de jovens produtores, penso que foram incentivados à mudança e auxiliados nesse projeto pelo Governo Regional. Sem esse apoio e aconselhamento, não teriam arriscado entrar em tamanha aventura!
Fico surpreso, quando o Governo Regional através do Secretário que tutela a Agricultura, vem demonstrar a sua solidariedade para com as duas partes, mas afirmando ao mesmo tempo, que seja a empresa e os produtores a entenderem-se entre si. Numa linguagem mais simples e conhecida do nosso povo: A sacudir a água do capote… Acrescenta ainda, que optarem pela produção da carne, tem de ser uma tomada de posição muito bem pensada, porque pode trazer algum constrangimentos, ao contrário do que tem dito e sugerido até ao momento… Inclusive, abrindo novas candidaturas.
A agricultura numa região periférica como a nossa, dependente de apoios europeus para a sua sustentabilidade e de promessas muitas vezes não cumpridas, acaba sendo um risco para quem a escolhe e, uma dor de cabeça para quem investe.
Fernando Mendonça
