
Os clubes filiados na Associação de Futebol de Angra do Heroísmo (AFAH) vão deixar de participar na III Divisão Série Açores de Futsal a partir da época 2027/28. A decisão foi aprovada por unanimidade durante o Programa Executivo da associação e resulta de uma reflexão estratégica sobre o futuro da modalidade, marcada por críticas ao modelo competitivo e à ausência de acesso direto à II Divisão Nacional.
Os clubes filiados na Associação de Futebol de Angra do Heroísmo vão abandonar a participação na III Divisão Série Açores de Futsal a partir da temporada 2027/28. A decisão foi tomada por unanimidade pelos próprios clubes durante o Programa Executivo da AFAH, realizado no sábado, 30 de maio.
Segundo uma nota de imprensa divulgada pela Associação de Futebol de Angra do Heroísmo, a deliberação contou com o apoio integral da Direção da associação e resultou de um consenso entre os presidentes dos clubes filiados, após uma análise do atual contexto competitivo da modalidade e das perspetivas para o seu desenvolvimento futuro.
O Programa Executivo é o encontro anual que reúne os responsáveis da AFAH e dos clubes associados para discutir temas estratégicos relacionados com o futsal local e regional. Neste ano, uma das principais conclusões passou pela decisão de abandonar a competição regional organizada no âmbito da III Divisão Série Açores.
Entre os fatores apontados para justificar esta posição está o nível competitivo da prova e o impacto que a participação na mesma tem sobre os campeonatos de ilha. Contudo, uma das principais críticas prende-se com a inexistência de uma subida direta à II Divisão Nacional para o vencedor da competição.
De acordo com a associação, esta situação é encarada pelos clubes e pela própria AFAH como uma discriminação que se tem mantido ao longo dos anos por parte da Federação Portuguesa de Futebol.
Citado na nota de imprensa, o presidente da AFAH, Maurício Toledo, lamentou “a falta de sensibilidade das outras associações de futebol a nível nacional naquilo que é a nossa visão para o desenvolvimento do futsal Regional”.
O dirigente manifestou ainda desagrado relativamente às recentes discussões sobre a reorganização das competições, afirmando que “num ano de revisão de regulamentos e de formatos das competições, as maiores associações de futebol do país foram castradoras do desenvolvimento das restantes”.
Além da questão competitiva, o encontro serviu também para debater os desafios enfrentados pelos clubes ao nível da formação. Os participantes defenderam a necessidade de uma mudança de paradigma relativamente à forma como a prática desportiva é financiada e sustentada.
Segundo a associação, foi destacado que os clubes suportam atualmente elevados encargos associados à formação de jovens atletas, sem que, na maioria dos casos, exista qualquer cobrança de mensalidades. Entre as despesas assumidas encontram-se os custos de transporte dos praticantes, remuneração de treinadores e técnicos, ações de formação obrigatórias, incluindo cursos de suporte básico de vida com desfibrilhação automática externa (SBV-DAE), entre outras responsabilidades financeiras.
Os dirigentes sublinharam igualmente que o agravamento da conjuntura económica, em particular o aumento dos custos dos combustíveis, tem vindo a pressionar ainda mais os orçamentos das coletividades, colocando em causa a sustentabilidade da atividade formativa.
Perante este cenário, foi consensualmente defendido que, num futuro próximo, os pais e encarregados de educação poderão ter de assumir uma contribuição financeira para a prática da modalidade, como forma de garantir a continuidade do futsal de formação e a estabilidade dos clubes.
De acordo com os participantes no encontro, esta eventual medida não teria apenas um objetivo financeiro, sendo também vista como uma forma de reforçar o compromisso e o sentido de responsabilidade dos atletas e das respetivas famílias relativamente à prática desportiva.
A decisão de abandonar a III Divisão Série Açores de Futsal a partir de 2027/28 marca uma posição conjunta dos clubes da área de jurisdição da Associação de Futebol de Angra do Heroísmo e representa um sinal de contestação ao atual modelo competitivo, ao mesmo tempo que evidencia as preocupações crescentes com a sustentabilidade económica do futsal de formação na região.
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