
A cidade da Praia da Vitória voltou a viver, este domingo, uma das mais emblemáticas manifestações da religiosidade e identidade cultural açoriana, com as tradicionais coroações e distribuição do bodo em honra do Divino Espírito Santo. Entre cortejos, música filarmónica e partilha comunitária, centenas de pessoas acompanharam as celebrações nos impérios citadinos, mantendo viva uma tradição secular profundamente enraizada na freguesia de Santa Cruz.
Tal como acontece em praticamente todas as localidades do arquipélago dos Açores, também a cidade da Praia da Vitória celebrou o Domingo de Pentecostes com as tradicionais festividades do Divino Espírito Santo, marcadas pelas coroações das irmandades e pela distribuição do bodo nos impérios citadinos.
As cerimónias tiveram início na Igreja Matriz de Santa Cruz, onde decorreu a eucaristia festiva do Domingo de Pentecostes. Após a celebração religiosa, os diversos imperadores cumpriram as suas promessas ao Divino Espírito Santo através do momento solene da coroação das irmandades, um dos pontos altos das festividades.
Concluída a cerimónia religiosa, as coroações seguiram em cortejo pelas ruas da cidade, acompanhadas pela Filarmónica União Praiense, única filarmónica da freguesia citadina de Santa Cruz e responsável por abrilhantar todos os momentos festivos associados às celebrações.
À semelhança do que sucede todos os anos, o percurso das coroações obedeceu ao sistema de alternância entre os impérios da cidade. Este ano, o cortejo dirigiu-se, em primeiro lugar, ao Império do Rossio, depois de, no ano anterior, a primeira visita ter sido ao Império da Rua do Rego. No próximo ano, será novamente este último a receber em primeiro lugar a coroação.
A alternância entre os impérios deve-se precisamente ao facto de as festividades serem acompanhadas pela mesma filarmónica, permitindo que ambos os impérios partilhem, de forma equilibrada, o protagonismo das celebrações do Domingo de Pentecostes.
Após a chegada das coroações aos respetivos impérios, foram prestadas homenagens aos mordomos e imperadores, seguindo-se a execução do hino do Espírito Santo e, depois, a tradicional distribuição do bodo à população.
No Império da Rua do Rego, para além da habitual distribuição do bodo, a irmandade promoveu também uma vasta mesa de convívio, organizada pela comissão de mordomos liderada por Norberto Gonçalves. No espaço não faltaram as tradicionais iguarias associadas às festas do Espírito Santo, reforçando o espírito de partilha e confraternização que caracteriza estas celebrações.
As festividades do Divino Espírito Santo continuam, assim, a afirmar-se como uma das mais fortes expressões culturais e religiosas da Praia da Vitória, contrariando a ideia de que as tradições populares perderam relevância no contexto urbano. Pelo contrário, a cidade continua a viver estas manifestações com intensidade, devoção e alegria, mantendo viva uma herança identitária profundamente ligada à história e ao quotidiano do povo açoriano.
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