ARTIGO DE OPINIÃO — COLIGAÇÃO NÃO SE RENOVA

Reitero a afirmação de que aquilo que aqui vos trago, não passa mesmo de um “ARTIGO DE OPINIÃO”. O que quer dizer, que se trata apenas, de uma análise elaborada no meu entender, sem colocar em causa as mais diversas opiniões que possam surgir sobre este tema, inesperadamente trazido a público pelo Presidente do Governo Regional, Dr. José Manuel Bolieiro.

É sobejamente conhecida a minha discordância com a consagração desta coligação em dois mil e vinte. Sempre entendi, assim como muitos outros Sociais Democratas, chamados da “Velha Guarda”, que o PSD devia ter avançado sozinho. Não foi esta a opinião da liderança dos novos tempos, assumiram a responsabilidade, logo devem também agora, aceitar a consequência dos resultados.

Penso que a notícia trazida no momento à comunicação social, peca por ser inesperada, quando se sabe, que o acordo se fez por dois mandatos, terminando os mesmos, só em dois mil e vinte e oito. Notícia que levou o CDS/PP pela voz do seu Vice-Presidente, a mostrar alguma surpresa, não pelo anunciado, mas sim, pela antecipação da altura própria, atendendo à distância da finalização deste mandato. O PPM através do seu líder, também já se apressou a vir dizer, que não se trata de nada de novo, considerando o estabelecido no acordo.

Vamos agora aos factos que me levam a pensar, ou se quisermos a refletir sobre algumas coincidências. Nunca na minha opinião, esteve tão aceso o CENTRALISMO, nomeadamente entre a Ilha Terceira e a de São Miguel. O Hospital Central em Ponta Delgada, a saída da Ryanair, com prejuízo maior para a Terceira, uma vez que a SATA mesmo falida, mantém a sua centralidade em Ponta Delgada, assim como a continuidade de outras Companhias Aéreas. As várias declarações de figuras públicas Micaelenses, insistindo na valorização da Ilha Maior, em prejuízo das restantes. Opinião rejeitada e bem, pelo atual Vice-Presidente Dr. Artur Lima, “Persona non-grata” no momento em São Miguel.

Escreveu um dia Osvaldo Cabral, que a SATA foi e continuava a ser a força maior para a queda de qualquer Governo nos Açores.

Tinha razão quando o disse. A SATA continua a ser o tiro no pé deste Governo, não só pelo histórico do seu passado, como pelas más decisões do presente.

Penso e repito. É uma opinião pessoal! Bolieiro deixou de aguentar as pressões, tanto internas, como externas, de uma classe poderosa, constituída por um “Lobby” de influência, capaz de deitar abaixo qualquer Governo… Hoje acredito não ter sido por acaso, que no Estatuto para a Autonomia dos Açores, se alterou o princípio de Harmónico para Equitativo… Decisão hoje bem aproveitada pelos decisores políticos desta nossa Região e pelo respetivo “Lobby” atrás mencionado.

Fernando Mendonça