
Aproxima-se o 25 de Abril, “Dia da Liberdade” conquistada pelos chamados Capitães de Abril, com o apoio incondicional de todo o povo Português, cansado de ser subjugado, maltratado, escravizado por um regime fascista, durante várias décadas e, de uma guerra colonial, que já não fazia sentido, nomeadamente para aqueles, que arriscavam a sua vida na incerteza do regresso à sua terra…
As armas saíram à rua, mas não houve a menor pinga de sangue! As balas foram substituídas pelos cravos vermelhos e o povo gritou: Viva a liberdade! Para muitos ilhéus como eu, distantes do centro dos acontecimentos, do grito das sirenes, dos anúncios da rádio pública tomada pelos militares, foi um misto de surpresa e de contentamento, sentidos no momento, em que as rádios locais nos trouxeram a feliz notícia da queda do regime que nos infligia o medo e a restrição da liberdade!
Perfaz-se cinquenta anos, que entre altos e baixos, vamos celebrando cada dia que passa, as conquistas adquiridas, sempre na perspetiva de atingirmos a concretização dos objetivos da revolução de Abril, na justiça, na fraternidade em todo o seu conceito de liberdade e de dignidade como seres humanos.
Acontece que os cravos murcharam, o povo sente-se triste e amordaçado, não pela falta de liberdade na sua voz, mas pela falta de esperança no futuro…
A mentira, a falsidade, a ganância pelo poder a qualquer custo, está levando os políticos ao descrédito e, consequentemente o regime democrático, instaurado pela Constituição da República, sugere preocupação aos que partilham da democracia institucional e, do perigo que corre na sua tomada pelos extremos, sejam esses de direita ou de esquerda.
O 25 de Abril trouxe-nos direitos, mas de que servem esses, quando os benefícios são só de alguns… Daqueles que deviam ser os guardiões dos direitos e liberdades, das igualdades sociais e do respeito do homem pelo homem, como foi anunciado por Mário Soares e Francisco Sá Carneiro, os primeiros líderes políticos, após a instituição da democracia em Portugal.
Quando é que se assume, como em alguns países nórdicos, que os eleitores aprovem em referendo as regalias dos seus deputados e restantes governantes? Quando é que se assume também, que tanto na República como nas Regiões Autónomas, temos deputados a mais, (considerando a nossa dimensão) e competência a menos…
Caminhamos para uma situação, em que os mais capazes sentem vergonha de ser políticos… E isto lamentavelmente, se não abrirmos os lhos, acabará dando cabo da democracia conquistada pelos capitães de abril!
Viva Abril! Viva a Liberdade!
Fernando Mendonça
