
Com a participação do Dr. José Guilherme Reis Leite, Francisco Coelho, Rodrigo Rodrigues e Armando Mendes. Moderado por Luciano Barcelos.
Desloquei-me da Praia da Vitória para assistir ao tão anunciado debate, cujo tema achava ser interessante, mais ainda, porque também partilho da opinião, de que a nossa autonomia precisa de ser bem repensada nas várias lacunas que se foram criando ao longo dos anos.
Confesso que esperava um pouco mais daquele debate!
Antes de fazer uma pequena análise sobre a intervenção dos participantes, posso adiantar o que concluiu a Dra. Maria Antonieta Mendes Costa, pessoa reconhecidamente conhecedora da matéria: CHOCHO…
Passo a citar as suas palavras sobre o debate “Na minha opinião: chocho… porque se ativeram a falar dos passos dados na Assembleia, na tentativa de corrigir o desnível populacional/económico existente, esquecendo os graves atentados (feitos nas costas dos restantes açorianos) quando é sonegado para a Ilha do Arcanjo tudo o que possa render vantagens – como as 16 companhias estrangeiras de aviação VS as três nacionais da Terceira… ou os planos maquiavélicos da gigantesca unidade hospitalar, (secretamente arquitetada), entre tudo o mais que sabemos…
Se de alguma coisa o debate serviu foi o de serem faladas em público algumas dessas mágoas (infelizmente bem poucas vezes!)”
Quanto á minha opinião pessoal, como disse atrás, esperava um pouco mais daquele debate a quatro, cujo tema convidava a intervenções mais ativas dos participantes, logo mais discutidas…
Começo por dizer que achei o Moderador Luciano Barcelos pouco à vontade, mostrando alguma timidez em conduzir o processo de modo a não fugirem ao propósito do referido debate.
Saliento a intervenção do Dr. Armando Mendes, bastante conhecedor do Centralismo que está sendo imposto pela Ilha do Arcanjo às restantes Ilhas. À chamada do Moderador, começou logo de início, atirando algumas achas para a fogueira, para que o debate fosse mais aceso… Não lhe saiu bem, porque logo ao seu lado, o Dr. Francisco Coelho, tratou de apagar as chamas… Quiçá porque se sentiu atingido por algumas labaredas…
Francisco Coelho foi talvez o que mais falou, mas que menos elucidou. Dando a entender a quem assistiu e conhece bem o seu percurso político, que destes cinquenta anos de autonomia mal conseguida e com várias lacunas, também tem algumas culpas no cartório, embora procurasse oculta-las. Sendo ele, como todos sabemos, um ex-presidente da Assembleia Regional e uma figura importante em todo o processo político regional.
Dr. Reis Leite, também ex-presidente da Assembleia Regional, começou por lançar algumas pedras, ao seu estilo irónico, mas bastante conhecedor e apologista da sensatez, preferiu a dado momento refugiar-se na sua reconhecida autoridade de historiador, embora enviando alguns aplausos ao Dr. Armando Mendes e, contrariando o Dr. Francisco Coelho, no seu apego aos bons resultados do tecido autonómico…
Dr. Rodrigo Rodrigues, empresário, ex-presidente da CCAH, Micaelense, mas radicado na Terceira há 30 anos.
Teve uma intervenção bastante assertiva e elucidativa da realidade da situação politica açoriana. Não quis falar de bairrismo, condenou o centralismo, não de São Miguel num todo, mas apenas de uma determinada elite que existe, nomeadamente em Ponta Delgada. Acabou confirmando o que todos já desconfiavam ou sabiam…
EXISTEM MUITAS INTENÇÕES, MUITOS PROJETOS, MAS NÃO HÁ DINHEIRO.
Fernando Mendonça
