ASSOCIAÇÃO CÍVICA “ESTA É A NOSSA PRAIA” ADVERTE QUE RESULTADO DA AUDITORIA AO GRUPO MUNICIPAL NÃO OBRIGA A “SANEAMENTO FINANCEIRO”

Embora criticando o endividamento excessivo provocado pelas lideranças autárquicas do PS, o grupo de cidadãos eleitores, constituído em junho passado em associação cívica “Esta é a Nossa Praia”, adverte que a situação reportada na auditoria não obriga o atual elenco camarário de coligação PSD/CDS-PP a seguir o caminho do “facilitismo” de recorrer a um programa de saneamento financeiro, com consequências nefastas para famílias e empresas do concelho, alertando que “existe mais vida para além do saneamento financeiro”.

Em nota de imprensa esta sexta-feira enviada às redações, o movimento “Esta é a Nossa Praia” salienta que esta auditoria contratada a uma empresa privada, “quase nada de novo” revelou já que “a maior parte das conclusões agora tiradas já se encontravam inscritas no Relatório da Auditoria que o Tribunal de Contas tinha apresentado em 2018”.

“A situação financeira do Município foi conhecida com o Relatório do Tribunal de Contas divulgado em 2018. Já naquela altura se apontava o caminho do saneamento financeiro que foi possível evitar, porque foi seguido um caminho de reestruturação financeira do Grupo Municipal (Câmara e empresas municipais) que afastou todas as consequências negativas, do ponto de vista socioeconómico, que um resgate do Município acarretaria para as famílias e o tecido empresarial praiense”, lê-se na referida nota de imprensa.

“É certo que entre 2005 e 2013, particularmente neste período, se registou um excesso de dívida municipal, promovendo um aumento dos encargos financeiros do Município. Também é certo que muita da dívida contraída naquele período resultou em investimentos que estão hoje no usufruto da população do Concelho. Igualmente certo é que a Câmara Municipal, na sequência do Auditoria do Tribunal de Contas de 2018, iniciou um processo de reestruturação financeira que evitou a Autarquia de pedir um resgate, facto que levaria ao corte nos apoios municipais, ao aumento de taxas e impostos, e à redução significativa do investimento. A reestruturação que vinha sendo seguida foi aprovada em Assembleia Municipal”, aponta o Movimento.

Para a associação “Esta é a Nossa Praia”, o atual executivo camarário merece a solidariedade de quem consegue perceber que muitos dos compromissos assumidos e dos projetos idealizados terão que ser adiados, para que se proceda à regularização da situação, mas não pode deixar de lamentar o ímpeto que parece existir de abandonar a reestruturação que estava em curso para adotar o caminho mais fácil para a gestão municipal que é o de pedir um resgate financeiro. Sendo o caminho que deixa o atual executivo camarário de coligação com uma gestão corrente muito facilitada, porque não poderá fazer nada mais para além do pagamento de contas correntes, pedir o resgate financeiro é o caminho mais penalizador para as famílias e empresas do Concelho que não têm culpas e vão acabar por ser chamadas a pagar as contas de dívidas que não fizeram”, advertem os independentes.

Não esquecendo a participação no último executivo camarário (nomeadamente Tiago Ormonde e Raquel Borges que foram Vereadores do Município no mandato que terminou em 2021), o movimento “Esta é a nossa Praia” frisa que “sem medos e de consciência tranquila” todos devem assumir “todas as responsabilidades pelo trabalho que realizaram”.

COLIGAÇÃO PSD/CDS DEVE DEFENDER OS INTERESSES DOS PRAIENSE

“As conclusões da auditoria agora apresentadas parecem querer acertar contas com o passado, mais do que apontar soluções que visem o futuro; as conclusões que o atual elenco camarário de coligação PSD/CDS apresentou parecem mais uma vingança política do que uma tentativa de solucionar problemas. Todos os que desempenharam funções no Município fizeram-no legitimados pelo voto popular e todos quiseram fazer o melhor que podiam e sabiam pela sua terra. Porém, neste momento, mais do que apontar culpas aos que endividaram sem medir as consequências, exige-se ação e a apresentação de uma solução para mitigar o impacto das contas. E a solução não pode ser a mais fácil, não pode ser sucumbir ao facilitismo de atirar a Autarquia para um programa de saneamento financeiro, cujas consequências incidirão sobre os Praienses, as suas famílias e empresas. Não pode o atual executivo camarário da coligação PSD/CDS querer vingar-se do passado, culpando os Praienses pelas escolhas legitimas e democráticas que fizeram, mas é isso que fará se não procurar outro caminho, para além do saneamento financeiro”, afirmam, citados na nota, os responsáveis pelo da associação “Esta é a nossa Praia”.

Para este movimento cívico sem fins lucrativos e partidários de cidadãos “quando um responsável político tende a procurar no passado justificações para não trilhar um rumo de futuro é porque não sabe o que quer, não tem projeto e assume o papel de vítima de um aparente desgoverno anterior para não fazer nada de melhor e de diferente. Apontar e denunciar os excessos do passado são atos que têm que ser praticados, a bem até da transparência que se exige, mas não se pode impedir o desenvolvimento futuro no médio prazo atirando para cima dos munícipes aumentos de taxas e impostos, cortes significativos no investimento municipal e, pior, ameaçando os trabalhadores com despedimentos”, lê-se, por fim, na nota enviada esta sexta-feira às redações.

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