FLA DEFENDE POLÍTICA FISCAL PARA OS AÇORES IGUAL A CONGÉNERES EUROPEIAS

A Frente de Libertação dos Açores (FLA) defendeu este domingo a introdução de uma política fiscal “idêntica à das outras regiões” ultraperiféricas europeias e acusou a classe política regional de viver num estado de “autismo político”.

Em nota enviada à Lusa, o diretório da FLA considera que “os Açores são das regiões ultraperiféricas a região que maior carga fiscal tem, o que significa que existe uma autonomia de segunda ou terceira categoria”.

As declarações da FLA surgem a propósito do Dia dos Açores, que hoje se assinala, e que colide pela primeira vez com o dia da manifestação de 06 de junho de 1975, em Ponta Delgada, conotada com o independentismo.

A FLA, criada em Londres, em 1975, surgiu na sequência do “Verão Quente”, tendo sido liderada por José de Almeida, entretanto falecido a 01 de dezembro de 2014.

O movimento, agora liderado por um diretório, foi responsável pela manifestação de 06 de junho de 1975, quando cerca de 10 mil pessoas manifestaram-se em Ponta Delgada contra a eventual ascenção dos comunistas ao poder no país. A manifestação levou à queda do governador civil Borges Coutinho.

O dirigente independentista negociou a independência dos Açores com os Estados Unidos que, por forma a não perderem a base das Lajes, com a eventual vertigem comunista no país, mantiveram um canal aberto com a FLA.

Os independentistas, na nota enviada à Lusa, apontam a necessidade de haver representantes dos Açores no parlamento europeu, de se criar partidos regionais, e preconizam o “fim da presença do ‘Governador’ (representante da República)”.

A FLA quer ver salvaguardado o “princípio da continuidade territorial, tal como as outras RUP têm, o reforço do mercado interno, a criação de programas específicos para a construção de um novo tecido empresarial açoriano e políticas para a fixação de populações nas ilhas que estão a desertificar, e nos concelhos que estão a desaparecer”.

Os independentistas querem também “legislação que incuta uma cultura de responsabilização politica dos dirigentes, obrigando-os a colocar o interesse publico acima dos interesses partidários e pessoais, mecanismos para atrair os emigrantes a regressarem e a investir na sua terra”.

Deve-se ainda “desenvolver um ensino que integre a forma açoriana de estar no mundo, cativar toda a inteligência que se tem vindo a exportar”, sendo estas “questões deixaram de fazer parte do debate politico nos Açores”.

A FLA considera que os políticos regionais “falam uns para os outros numa linguagem que só eles compreendem, trocando pelouros entre si e, aquando das eleições, cada vez menos cidadãos vão lá colocar o seu voto”.

“Estamos perante um estado de autismo político que deveria ser invertido”, declaram os independentistas.

Para a FLA, os Açores “transformaram-se num laboratório político onde as agendas dos partidos nacionais determinam o percurso das políticas a seguir pelas suas filiais regionais, que por sua vez não têm pudor em desempenhar tais papeis”.

De acordo com os independentistas açorianos, “os resultados não enganam, uma vez que durante os últimos 40 anos o mundo mudou muito e os Açores mudaram menos do que seria expectável”.

“A nossa posição relativa continua a ser a mesma, quando olhamos para uma série de indicadores e verificamos que o nosso arquipélago continua na cauda da Europa”, afirma a FLA.

“No presente ciclo, que se iniciou a 06 de junho, começamos com uma autonomia progressiva. Depois esta deu lugar a uma autonomia tranquila e, para espanto dos mais ingénuos, as instituições regionais já afirmam que é indispensável a manutenção do ‘património autonómico adquirido’, o que, por outras palavras, significa dizer que passou-se de uma dinâmica construtiva, para uma fase estável, estando-se a viver um momento de desconstrução”, sustenta a FLA.

Para a FLA, “passados estes anos, o significado do dia 6 de junho continua cada vez mais atual na vida política”, sendo necessário, “mais do que nunca, que os açorianos venham para a rua e, num exercido de cidadania, lutem para que o rumo dos acontecimentos seja mudado, permitindo construir uma região mais sustentável”.

© Lusa | PE