DUARTE FREITAS DIZ QUE GOVERNO DOS AÇORES TEM SENSIBILIZADO BRUXELAS PARA IMPORTÂNCIA DA SATA

O secretário regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública, Duarte Freitas, declarou esta quarta-feira que o XIII Governo dos Açores tem sensibilizado a Comissão Europeia para a importância da SATA, acreditando que o “processo negocial” referente ao plano de reestruturação traga boas notícias

“Conquistámos a União Europeia para a importância da SATA, nomeadamente a SATA Air Açores, e as implicações da Azores Airlines na nossa «menina dos olhos». Vamos ter sucesso a resolver a trapalhada que nos deixaram”, disse o governante, citado em nota do executivo, que falava na Assembleia Legislativa Regional, no âmbito de um debate sobre Transportes suscitado pelo grupo parlamentar do Bloco de Esquerda.

O plano de reestruturação, lembrou Duarte Freitas, “é um processo negocial com a Comissão Europeia”.

“Estamos em vésperas de decisão final. Não podemos adiantar os contornos finais, mas a decisão deste Governo de salvar a SATA teve bom acolhimento nas instâncias comunitárias”, prosseguiu o governante com a tutela das Finanças.

“NEM MAIS UM CÊNTIMO” NA AZORES AIRLINES

No âmbito deste debate, o deputado único do Chega/Açores, José Pacheco, considerou “um disparate a dívida da SATA”, defendendo que não deve ser injetado “nem mais um cêntimo” na Azores Airlines, advogando que a mesma deve ser separada da SATA Air Açores, pela importância que esta última tem para a coesão das ilhas.

Citado em nota do partido, o deputado da direita nacionalista, afirmou que “foi o Partido Socialista que afundou a SATA. Os senhores afundaram a SATA e os açorianos percebem quem foi o cangalheiro da SATA”, disse dirigindo-se à bancada do PS.

Para José Pacheco é necessário acabar com rotas deficitárias da companhia aérea regional, já que, “uma companhia aérea que voa para fora dos Açores por capricho, tem de dar lucro, caso contrário tem de acabar”, defendeu.

No entender de José Pacheco, “é fundamental” separar a SATA Air Açores da Azores Airlines. Segundo diz, a SATA Air Açores reforça a união das nove ilhas dos Açores enquanto a Azores Airlines tem apostado em rotas deficitárias e que, se continuar a não dar lucro “acabe-se com ela”.

O também líder regional do Chega/Açores, afirmou que a SATA Internacional não pode continuar a “afundar” todo o Grupo SATA nem pôr em causa a SATA Air Açores.

Segundo José Pacheco, o atual Governo tem “a obrigação moral de resolver” os problemas da SATA.

“Se tivermos de fechar a SATA Internacional, fechamos” e a TAP tem de cumprir com as obrigações de serviço público que também tem, já que tem sido apoiada financeiramente, “e tem de ligar o maior número de ilhas possível”, defendeu.

No debate, o parlamentar lembrou ainda que relativamente às ligações da SATA à diáspora os emigrantes açorianos “têm sucessivas queixas da SATA”, defendendo que “a questão da SATA é para se resolver em nome dos nossos filhos e dos jovens”, tendo-se dirigido ao presidente do Governo apelando que haja uma solução para a situação da SATA.

ADMINISTRAÇÃO DA SATA MENTE AOS AÇORIANOS

Por sua vez, o deputado da Iniciativa Liberal, Nuno Barata, acusou o Conselho de Administração do Grupo SATA de “ter mentido, por mais do que uma vez, aos deputados, ao presidente do Governo e aos açorianos” sobre o Plano de Reestruturação da empresa, reafirmando que “a IL não aprovará mais um cêntimo para enterrar na Azores Airlines”.

Citado em nota, Nuno Barata manifestou-se ainda “satisfeito” por ter percebido que o Governo Regional de coligação PSD/CDS/PPM “vai contar com o apoio do BE e do PS” para aprovar os orçamentos suplementares que venham a ser apresentados “para meter mais dinheiro na SATA”.

Advertindo que os consequentes resultados negativos da Azores Airlines periga contra a sobrevivência da SATA Air Açores, o parlamentar liberal frisou que, relativamente ao assunto SATA, “não vamos olhar pelos retrovisores”, mas antes “olhar para a frente, para o futuro”, apontando que “as soluções de futuro não passam por continuar a endividar, as soluções de futuro não passam por continuar a ingerir na gestão companhia, as soluções de futuro não passam por continuar a manter operações deficitárias, aumentando dívida em cima de dívida, pondo em causa a nossa única solução de mobilidade interilhas, que é a SATA Air Açores”.

Nuno Barata não tem dúvidas: “A Azores Airlines põe em causa a sobrevivência o nosso único instrumento de mobilidade interna”, este sim o instrumento deve ser protegido a bem da coesão territorial e social da Região e de todos aqueles que cá vivem, que nos visitam ou que nos Açores investem.

Lembrando que no último Orçamento da Região “a IL exigiu ao Governo Regional, no sentido da responsabilidade do futuro de todas as gerações de açorianos, que se reduzisse o nível de endividamento da Região”, Nuno Barata realçou que “a opção de cortar nos 74 milhões de euros que estavam inscritos para a SATA e de cortar nos valores relativos às dívidas aos fornecedores do Serviço Regional de Saúde, foi do Governo”.

“Não foi a IL que disse onde se devia cortar. Dissemos só que era preciso cortar nos níveis de endividamento”, sublinhou.

No entanto, para o futuro, reforçou, “já percebemos que o PSD, o CDS e o PPM têm dois parceiros para o próximo orçamento: têm o BE e o PS disponíveis para aprovar um orçamento que enterre na Azores Airlines milhões e milhões de euros. Com a IL não contam!”, disse, renovando uma convicção sempre defendida pelos liberais açorianos.

No debate, Nuno Barata considerou ainda “impensável” que a Região mantenha confiança no Conselho de Administração do Grupo SATA, sublinhando que os atuais gestores da empresa já “mentiram, por mais do que uma vez, aos Açorianos”.

“No início da Legislatura, os Líderes Parlamentares e o Presidente do Governo tiveram uma reunião com o Conselho de Administração do Grupo SATA, que nos enganou a todos. Disseram-nos que tinham um plano de reestruturação, que afinal não existe. Um ano depois, a reunião voltou a repetir-se e o Conselho de Administração voltou a mentir aos Deputados, ao Presidente do Governo e aos Açorianos. E o que faz este Governo? O Governo insiste em manter aquele mesmo Conselho de Administração, o que para a IL é impensável”, apontou.

O Deputado da IL salientou também que “é incompreensível que se mantenham um Conselho de Administração nestas circunstâncias, para além de que foi esta Administração que nos disse também que ia cortar em rotas deficitárias, mas que pouco tempo depois anunciou, sabe-se lá por ordem de quem, novas rotas que, entretanto, já foram canceladas porque não tinham viabilidade nenhuma. Este é um CA que mente aos Açorianos e que finge que governa a companhia aérea mais importante para a mobilidade de todos os Açorianos”, ajuizou.

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