PRESERVAR E DEFENDER O QUE É NOSSO!

Francisco Miguel Nogueira

Marc Bloch, um importante historiador francês disse que: “A incompreensão do presente nasce fatalmente da ignorância do passado. Mas não vale a pena esgotar-se para compreender o passado quando nada se sabe do presente”, ou seja, só podemos compreender quem somos, se olharmos para quem fomos e o que os nossos antepassados fizeram e construíram, contudo se não soubermos aproveitar o que temos, o que existe, o que está à nossa volta, não serve olhar para trás.

Para entendermos o nosso presente e fazermos melhor para o futuro, temos mesmo que saber sobre o nosso passado, que não podemos saber quem somos, sem sabermos o que fizemos. Não peço que estejamos sempre a olhar para o passado. Não! Devemos viver o agora, o hoje, aproveitando a vida, mas sem esquecer tudo o que vem para trás. Compreender que todos os obstáculos, as dificuldades, as batalhas e as guerras, ajudaram a construir a nossa Identidade, seja a individual, seja a coletiva. Todo o percurso feito pelo Homem é importante para construir a sua personalidade, as suas virtudes, os seus defeitos, etc.

Quando falo da urgência em preservar o nosso Património, não o faço levianamente, apelo para que História de todos nós não se perca, para que a Cultura desta Terceira não se apague. Temos vistos vários Tesouros desaparecer e, com isso, a morrer um pouco da Memória dos nossos egrégios avós, sem sabermos, está a desvanecer, assim, um pouco da nossa essência.

Este grito é para os agentes políticos deixarem apenas de falar da importância da Preservação do nosso Património e da nossa História, mas para fazê-lo efetivamente. É necessário construir património novo, mas não podemos esquecer de preservar e até dinamizar os espaços existentes. Temos vários bens que precisam ser “vistos” realmente e terem uma nova função para que não sejam destruídos pelo tempo, para que se conheça o papel que desempenharam e a sua relevância. Não podemos inaugurar edifícios novos, sem olhar para a potencialização de vários prédios que estão esquecidos. O progresso é fundamental para o nosso desenvolvimento, porém tenham atenção ao meio onde estamos, olhando para o que nos rodeia. Construir sim, mas aproveitando ao máximo o pré-existente, visto que saber dinamizar o que está junto de nós, é ajudar ao progresso de onde vivemos.

Há Património que marcou o desenrolar da ação nesta Terceira e que não tem nenhuma indicação de quem lá residiu, o que aconteceu lá, quem lá nasceu, esta informação é deveras importante para se divulgar mais da nossa História. Não podemos focar-nos nos locais de sempre, esta Ilha tem uma riqueza histórico-patrimonial que merece ser conhecida e divulgada. Temos mais História e mais estórias do que apenas a que encontramos em folhetos. Um circuito turístico nos lugares que marcaram a História Militar desta terra, é um caminho que deve ser tido em conta. Este circuito podia, assim, permitir, entre vários outros projetos, dar uma nova vida à Casa da Salga, com um futuro Museu da Resistência, contribuir também para a criação de um Centro Interpretativo da Linha de Fortes, com as plantas dos Fortes, com uma réplica em 3D de como funcionavam, levando, assim, à salvaguarda destes vestígios da nossa História. A Preservação destes bens é um projeto imprescindível a ser feito o mais rapidamente possível.

Vivemos numa época em que estamos a entrar no bicentenário das lutas liberais nesta Ilha, não será tempo de aproveitarmos estas datas e construir algo que fique para o futuro sobre o papel indelével que esta terra teve para o Liberalismo? A aposta na comemoração de acontecimentos deste período ou da divulgação das personalidades que contribuíram para a afirmação liberal da Terceira, é vital para a Memória Coletiva.

Estamos a 2 anos dos 80 anos do desembarque britânico e da posterior chegada norte-americana à Terceira, não será o tempo certo para um Museu Base das Lajes, com todo a História, deste a construção do Aeródromo das Lajes, ao convívio entre aliados e locais, ao papel da Base aos longo do tempo, entre vários outros pontos a ter em conta, como as trincheiras da II Guerra nos Biscoitos ou as estórias da História deste período?

É tempo de compreendermos que o passado deve fazer parte do nosso presente e que somos o resultado das venturas e desventuras dos nossos antepassados.  É o momento certo para darmos as mãos e lutarmos pelo nosso Património e pela nossa História, deixando de lado bairrismos, em nome de algo maior, a defesa da nossa Cultura. A divulgação e o conhecimento do Passado são fundamentais para sabermos viver melhor o Presente e entender melhor o meio onde estamos inseridos.

Francisco Miguel Nogueira
Historiador/Investigador

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