AÇORES REGISTAM DIMINUIÇÃO NA PRODUÇÃO DE RESÍDUOS URBANOS EM 2020

Os Açores produziram em 2020 um total de 141.798 toneladas de resíduos urbanos (RU), “menos 3.924 toneladas do que no ano anterior, o que representa uma diminuição de 2,7%”, provavelmente devido à pandemia de covid-19.

Os números constam dos Relatórios dos Resíduos Urbanos e Não Urbanos referentes ao ano de 2020, que acabam de ser publicados pela Secretaria Regional do Ambiente e Alterações Climáticas e foram esta quinta-feira divulgados pelo Governo Regional dos Açores, numa nota enviada às redações.

De acordo com a secretaria regional, no ano passado, a produção de RU “diminuiu, provavelmente em decorrência da situação pandémica vivida neste período, em que se verificou a diminuição significativa de diversas atividades produtoras desta tipologia de resíduos”, como é o caso da “restauração e hotelaria, associadas à população flutuante através do fluxo turístico”.

Em 2019, a produção de RU tinha confirmado “a tendência de aumento retomada em 2016, depois de dois anos de redução dos quantitativos produzidos (2014 e 2015)”, assinala a nota.

Há também a destacar a taxa de valorização de resíduos de construção e demolição (RCD), na ordem dos 91%.

Relativamente aos resíduos hospitalares, os relatórios apontam que se verificou “um aumento na produção dos resíduos perigosos comparativamente ao ano transato, com um acréscimo de cerca de 14,4%”.

Já “na produção geral dos fluxos específicos ocorreu uma ligeira diminuição, com menos 1,9%”.

A nota divulgada pelo Governo Regional (de coligação PSD/CDS-PP/PPM) adianta ainda que nos últimos anos “o arquipélago progrediu significativamente no tratamento de resíduos urbanos, tendo “valorizado em 2020 cerca 55% dos RU produzidos”.

Destaca-se “a valorização material (reciclagem), que atingiu 21,9%”. A valorização orgânica registou “um aumento para 15,9%”, enquanto a valorização energética se manteve nos 17,2%.

Assim, a fração de resíduos urbanos “eliminados em aterro foi de 45%”.

É também sublinhado o facto de a Região Autónoma dos Açores ter promovido, exclusivamente no âmbito do SIGRE – Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens, “a reciclagem de 65,5 quilos de resíduos de embalagens por habitante”, pelo que a taxa de preparação para a reutilização e reciclagem se fixou nos 40%.

“Se as infraestruturas previstas para a gestão de resíduos na Região Autónoma dos Açores estivessem em pleno funcionamento, em 2020 a região teria alcançado a meta a que se propôs”, salienta a Secretaria Regional do Ambiente e Alterações Climáticas.

O relatório diz ainda que “a ilha Terceira deverá reforçar todo o seu sistema de gestão e resíduos urbanos de forma a aumentar a sua valorização material e orgânica”.

Quanto à ilha de São Miguel, “terá de aumentar a valorização material e orgânica, sendo fundamental a diminuição dos quantitativos eliminados em aterro”.

O executivo açoriano considera “fundamental continuar o trabalho de informação e sensibilização para prevenção da produção e, simultaneamente, reforçar as medidas que visam incutir hábitos de separação na população”, através da sensibilização e pela “via da implementação de sistemas de poluidor-pagador”.

Com a pandemia da covid-19, “foram evidentes os impactos na produção e gestão de resíduos, e nesse sentido houve a necessidade de se proceder à suspensão do Tratamento Mecânico e Biológico (TMB) nas ilhas com casos confirmados de infeção, com a consequente eliminação, sem triagem prévia, dos RU indiferenciados”, conclui.

© Lusa | PE

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