NAVIOS DA ATLÂNTICOLINE VÃO PASSAR A MONITORIZAR A BIODIVERSIDADE MARINHA DOS AÇORES

No âmbito de um protocolo de cooperação e articulação entre a Atlânticoline, SA e a Direção Regional dos Assuntos do Mar será sistematicamente registado, por observadores embarcados, de megafauna e lixo marinho, avistáveis a partir dos navios da empresa transportadora. Em paralelo, será divulgada, durante as viagens, informação sobre as espécies marinhas observadas.

Este protocolo estabelecido ao abrigo do projeto LIFE “IP Azores Natura”, decorre de uma reunião entre as duas entidades realizada na passada sexta-feira, 28 de maio, na cidade da Horta, com o objetivo de estabelecer uma cooperação “na conservação da biodiversidade marinha dos Açores”.

De acordo com nota de imprensa do Governo, esta iniciativa destina-se a “fomentar a colaboração entre as políticas ambientais dos Açores e o transporte marítimo de passageiros e viaturas para a monitorização da distribuição e da abundância da megafauna marinha que ocorre na região”.

Para o diretor regional dos Assuntos do Mar, citado na referida nota, nesta colaboração “será fundamental para podermos aplicar, com sucesso, as várias diretivas comunitárias que se aplicam ao meio marinho, pelas quais esta direção regional é responsável”.

“A vasta extensão de espaço marítimo dos Açores sob a nossa responsabilidade implica um esforço muito grande de monitorização e de estudo, pelo que o Governo Regional necessita da conjugação de todos os esforços que permitam avaliar o estado ambiental do ecossistema marinho, sendo a cooperação entre a Atlânticoline e a Direção Regional dos Assuntos do Mar um passo decisivo, pelo qual devemos o nosso público reconhecimento”, acrescentou Pedro Mendonça das Neves.

A Direção Regional dos Assuntos do Mar dá assim cumprimento ao Quadro de Ação Prioritária da componente marinha da Rede Natura 2000. A informação obtida no programa de monitorização que se inicia agora será analisada e considerada no processo de revisão da Rede das Áreas Marinhas Protegidas dos Açores (RAMPA), processo esse que decorre neste momento a cargo da Direção Regional dos Assuntos do Mar.

No âmbito do Projeto LIFE-IP Azores Natura, a Direção Regional prepara também a designação de novas áreas marinhas protegidas, áreas essas que passarão a integrar o Parque Marinho dos Açores, uma vez revisto, aumentando significativamente a área do espaço marítimo dos Açores que se encontra efetivamente protegida, dando assim cumprimento aos compromissos internacionalmente assumidos.

Na atualidade, a rede formal de áreas marinhas protegidas dos Açores (RAMPA, definida ao abrigo do enquadramento legal da biodiversidade) compõe-se de 50 áreas e abrange 247.159 km2, dos quais, 2,3 % classificados com um nível de proteção médio ou elevado.

A delimitação de áreas marinhas para proteção do ecossistema e recursos é também definida, nos Açores, no âmbito do quadro legal da pesca Açoriana.

Nesse enquadramento legal, a pesca é atualmente regulamentada e/ou fortemente condicionada em 779 km2, distribuídos por 51 áreas delimitadas por portarias do membro do governo com competência em matéria de pescas, localizadas em redor de todas as ilhas do arquipélago (algumas, total ou parcialmente, coincidentes com a RAMPA).

Essas áreas são definidas e revistas periodicamente, com a participação pública por parte dos utilizadores do mar, em especial do setor da pesca.

© GRA | Foto: SRMP | PE

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