CORONAVÍRUS: AVIÃO CHINÊS QUE ATERROU EM PONTA DELGADA NÃO CONSTITUI PERIGO PARA A SAÚDE PÚBLICA, GARANTE GOVERNO

Foto: © Wikipédia

Avião particular chinês proveniente do Haiti que aterrou em Ponta Delgada não constitui qualquer risco para a saúde pública, garantem as autoridades de saúde regional, uma vez que já decorreu o período de quarentena de 14 dias após a descolagem inicial de Hong Kong.

Avançou ontem o jornal nacional “Diário de Notícias”, após informações recolhidas no site Flight Aware, que o avião saiu de Hong Kong no dia 25 de janeiro.

Perante estes factos, o PPM/Açores vai expor o caso ao Ministério Público e solicitar a audição parlamentar urgente de todos os responsáveis envolvidos.


O avião particular chinês “Gulfstream” – considerado um dos mais luxuosos do mundo – que aterrou no passado sábado no aeroporto João Paulo II, em Ponta Delgada, depois de lhe ser recusada a autorização para aterrar nas Bahamas e para desembarcar na Islândia, não constitui qualquer perigo para a saúde pública, avança uma nota de imprensa ontem enviada às redações pela Secretaria Regional da Saúde.

O voo proveniente do Haiti com uma tripulação de três pessoas e 11 passageiros, segundo avançou a imprensa nacional, trazia a bordo um cidadãos chinês oriundo de Wuhan, tendo os passageiros e tripulação recebido autorização para desembarcar, instalando-se numa unidade hoteleira de Ponta Delgada. O avião parte hoje para França rumo ao destino final em Hong Kong.

Segundo diz a referida nota de imprensa, a Coordenadora Regional, Ana Rita Eusébio, e o Delegado de Saúde Pública de Ponta Delgada, Eduardo Cunha Vaz, confirmaram que não existe qualquer risco específico para a saúde pública relacionado com o voo.

“O voo saiu de Hong Kong há mais de 15 dias, tendo passado por Japão, Islândia, França e Haiti. Nenhum dos 11 passageiros e três tripulantes provém de Wuhan, na China, nenhum teve qualquer contacto com pessoas suspeitas de infeção por coronavírus e nenhum apresenta qualquer sinal ou sintoma de doença. Como tal, não existem critérios clínicos e epidemiológicos para casos suspeitos ”, esclarece a nota.

Mesmo assim, prossegue a nota, “sem serem considerados casos suspeitos e sem restrições de entrada e/ou circulação, ao nível do quadro legislativo nacional, a situação foi avaliada pela Autoridade de Saúde concelhia e regional, tendo os passageiros sido observados de forma preventiva”.

“Considerando o período de quarentena recomendado de 14 dias, não houve necessidade de qualquer precaução especial para proteção da saúde pública”, conclui a nota.

Porém, avança o Diário de Notícias, em artigo publicado na noite de ontem, com base em informações recolhidas no “site” Flight Aware, que o avião saiu de Hong Kong no dia 25 de janeiro, portanto, há menos de 14 dias. O artigo confirma no entanto, a informação transmitida pela Secretaria Regional da Saúde, que efetivamente a bordo não estava qualquer cidadão proveniente de Wuhan.

Perante este factos, a representação parlamentar do PPM, considerando “muito grave o conjunto de procedimentos adotados pelas entidades regionais envolvidas”, informa em comunicado de imprensa, hoje emitido, que irá “expor o caso à Procuradoria-Geral da República; Solicitar a audição urgente, em sede de comissão parlamentar, da Secretária Regional da Saúde, da Secretária dos Transportes e Obras Públicas e do coordenador do Gabinete de Apoio à Comunicação Social (GaCS); e “Solicitar a realização de todos os procedimentos adicionais que se impõe, no sentido de assegurar a minimização do risco de transmissão do coronavírus, que resultam da não adoção dos procedimentos corretos, algo que sucedeu devido ao facto das autoridades terem presumido – de forma errada – que o período de quarentena recomendado já tinha sido cumprido.”

ESCLARECIMENTO DAS AUTORIDADES DE SAÚDE

As Autoridades de Saúde Pública dos Açores reafirmam, em comunicado de imprensa da responsabilidade da Secretaria Regional da Saúde, esta tarde divulgado, “não existir risco atual com voo proveniente de Hong Kong”.

O comunicado agora emitido, justifica as autoridades de saúde, “vem na sequência de diversas afirmações erradas, infundadas e alarmistas proferidas em diversos órgãos de Comunicação Social e plataformas de redes sociais”, pelo entendem as autoridades de saúde regionais “ser necessário e útil” prestar os esclarecimentos que passamos a apresentar:

1. As autoridades de Saúde Pública dos Açores reafirmam que não existe risco para a saúde pública, tendo em conta as orientações atualmente em vigor para definição de caso suspeito por infeção por novo Coronavírus (2019-nCoV), relacionado com um voo particular que aterrou sábado, 1 de fevereiro, no Aeroporto de Ponta Delgada.

2. A avaliação em causa resulta não só da verificação da origem e escalas da aeronave em causa, mas, sobretudo, da verificação dos percursos dos passageiros e tripulantes nos últimos 14 dias.

3. De acordo com o plano de voo e os passaportes, verificados presencialmente, a aeronave partiu de Hong Kong, a 25 de janeiro, com três passageiros a bordo, os quais residem em Hong Kong e daí não se tinham ausentado nos 14 dias anteriores a esta viagem. De seguida, a aeronave fez escala em Tóquio, onde entraram os restantes oito passageiros. Estes residem no Japão e daí não se tinham ausentado nos 14 dias anteriores à viagem.

4. De forma mais concreta, verificou-se que nenhum dos passageiros e tripulantes provém de Wuhan, na Província de Hubei, na China.

5. Igualmente verificou-se que os tripulantes, dois de nacionalidade norte-americana e um de nacionalidade chinesa, não provinham, nem tinham estado, nos 14 dias anteriores à viagem, na cidade de Wuhan, província de Hubei.

6. O avião fez depois escala e paragem em Paris e na Islândia, sem qualquer restrição à entrada e/ou à circulação da aeronave, dos passageiros ou dos tripulantes.

7. A situação foi avaliada de acordo com os critérios clínicos e epidemiológicos estipulados pela Direção-Geral da Saúde e pela Direção Regional da Saúde dos Açores (Orientações Técnicas n.º 2, 3 e 4, da Direção-Geral da Saúde, e Circulares Normativas n.º 2, 4 e 5, da Direção Regional da Saúde, de janeiro de 2020), tendo-se averiguado que nenhum dos 11 passageiros e dos três tripulantes reunia critérios clínicos e epidemiológicos para definição de caso suspeito, na presente data.

8. Desde a data da chegada até à data de hoje, altura em que passageiros e tripulação foram novamente avaliados, estes não apresentavam qualquer critério clínico para serem considerados sequer como casos suspeitos, tendo o voo saído hoje de manhã.

9. Salienta-se que a Direção Regional da Saúde acompanha a situação, em articulação com a Direção-Geral da Saúde, atualizando orientações e procedimentos para apoio aos profissionais de saúde, hospitais e unidades de saúde de ilha, bem como outros agentes públicos e privados de relevo para esta situação, designadamente aeroportos e portos.

10. Reitera-se que os Açorianos devem seguir as recomendações de autoproteção da Direção Regional da Saúde: tapar o nariz e a boca com lenço de papel ou antebraço quando espirram ou tossem, lavar frequentemente as mãos e evitar contacto próximo com pessoas com infeção respiratória.

NE: Notícia atualizada às 16:12 com novo comunicado da Secretaria Regional da Saúde.

Foto: © Wikipédia | PE

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