EDUCAÇÃO: UM PLANO PARA A DÉCADA

Sofia Ribeiro

Na sua primeira intervenção como Presidente do PSD/Açores, José Manuel Bolieiro foi muito claro, ao apresentar a Educação como área central do seu projeto, atendendo à sua relevância para o desenvolvimento sócio-económico da Região. Fê-lo com a exata noção de que a sustentabilidade de um projeto educativo requer a construção de um plano na Educação para a década e não a apresentação de medidas avulsas que, tendo o condão de aprimorar a fotografia da atividade política, falham na capacidade de revolucionarem positivamente o sistema.

Neste contexto, importa avaliar a presente situação. Nos últimos já quase 24 anos de governação, o sistema educativo na Região foi sujeito a significativas alterações. A mais relevante terá sido, provavelmente, a da implementação da universalidade do ensino com a obrigatoriedade de frequência de nove anos de escolaridade, hoje já de doze. Consolidou-se o combate ao absentismo escolar em articulação com serviços de assistência e segurança social e com as autarquias. Construíram-se novos edifícios escolares para integrar mais crianças e jovens, aproximando as escolas das localidades mais periféricas. Foram dados passos significativos para a inclusão, mormente a adaptabilidade do ensino e dos currículos, em particular para os alunos portadores de deficiência ou outras necessidades educativas especiais. A Escola passou a ser para todos. E esta não foi uma revolução menor.

A Escola abriu-se a todos, mas ainda estamos longe de os integrarmos a todos. A Escola não tem cumprido como veículo de ascensão social, persistindo em manter-se como reflexo da condição cultural das famílias. O foco na universalidade confundiu-se com uma harmonização de objetivos mínimos, contrária a uma cultura de exigência e rigor. A realidade é que estamos mais a trabalhar mínimos do que a educar para prosperar, o que acentua o desequilíbrio social de base.

Decorrido o período de alargamento escolar, urge agora mudar de paradigma, promovendo o sucesso ao invés de nos focarmos no combate ao insucesso, em que importa centrarmos mais a atenção nos procedimentos do que nos resultados, com uma intervenção individualizada desde a primeira infância, com maior colegialidade inter-pares e menor burocracia, que serve mais para legitimar decisões políticas do que para conduzir ao sucesso de projetos.

Esta mudança de paradigma será tão mais importante quão necessária face aos desafios que se nos colocam dada a revolução tecnológica e da inteligência artificial. Assistimos a uma dicotomia em que, por um lado, se reforça a necessidade de se investir no conhecimento e no saber-fazer, com elevado nível de especialização, de domínio e de aplicação de conhecimentos, mas em que também se exige aos alunos que detenham competências sociais, de comunicação e de seleção da informação que lhes permitam enfrentar os desafios da globalização, em especial o pensamento crítico, a criatividade colaborativa e a escuta ativa.

Com o alargamento da escolaridade evoluímos para um sistema adaptado, mas ainda estanque. Há que criar um sistema versátil, perante os novos desafios, numa cultura de exigência curricular, técnica, social e comportamental. Apenas possível com um projeto para a década.

Sofia Ribeiro
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