AUTONOMIA E ENGENHARIA MARCARAM 50 ANOS DE DESENVOLVIMENTO DOS AÇORES

A governante falava este sábado, na Horta, em representação do Presidente do Governo Regional, na sessão de abertura da conferência “Meio Século de Autonomia com a Engenharia ao Serviço dos Açores”, promovida pela Secção Regional dos Açores da Ordem dos Engenheiros Técnicos, no âmbito das comemorações dos 50 anos da Autonomia Constitucional da Região.

Numa nota de imprensa divulgada pela Secretaria Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral sublinha que a capacidade de definir prioridades próprias, planear investimentos e executar políticas públicas ajustadas à realidade arquipelágica permitiu ultrapassar carências estruturais, criar oportunidades de desenvolvimento e melhorar a qualidade de vida dos açorianos.

“A Autonomia conferiu-nos a capacidade política de decidir. A engenharia proporcionou os instrumentos técnicos para transformar essas decisões em realizações concretas”, afirmou.

Entre os principais avanços alcançados ao longo de cinco décadas, a secretária regional destacou a expansão e modernização das infraestruturas portuárias e aeroportuárias, a melhoria das redes viárias, a construção de escolas, unidades de saúde e equipamentos sociais e culturais, bem como o reforço dos sistemas de abastecimento de água, energia e saneamento.

Segundo Berta Cabral, estas conquistas resultam do trabalho de várias gerações de profissionais da engenharia, cuja competência e sentido de responsabilidade foram determinantes na conceção e execução de infraestruturas que constituem atualmente património coletivo dos açorianos.

A governante salientou igualmente a importância da engenharia num território marcado por desafios geográficos, geológicos e ambientais, considerando fundamental o seu contributo para a segurança, a prevenção e a resiliência das comunidades.

“A exposição dos Açores à atividade sísmica, aos fenómenos meteorológicos extremos e aos efeitos das alterações climáticas exige soluções tecnicamente robustas, capazes de proteger as populações e garantir a continuidade dos serviços essenciais”, referiu.

Como exemplo da capacidade técnica na resposta a situações adversas, Berta Cabral apontou a reconstrução do Porto das Lajes das Flores, que considerou um caso paradigmático da aplicação do conhecimento especializado ao serviço das populações.

A secretária regional manifestou ainda o reconhecimento do Governo dos Açores pelo contributo dos engenheiros técnicos e dos restantes profissionais do setor, destacando o papel do Laboratório Regional de Engenharia Civil e dos institutos públicos ligados ao setor agrícola na investigação aplicada e no desenvolvimento de soluções ajustadas à realidade do arquipélago.

Berta Cabral considerou também a Ordem dos Engenheiros Técnicos um parceiro estratégico na concretização das políticas públicas e dos projetos estruturantes da Região, defendendo o reforço da cooperação institucional e a valorização contínua do conhecimento técnico e científico.

Relativamente aos desafios das próximas décadas, apontou a transição energética, a sustentabilidade ambiental, a transformação digital e a modernização das infraestruturas como áreas que exigirão maior capacidade de planeamento, inovação e adaptação.

Neste contexto, destacou a importância do próximo Quadro Financeiro Plurianual da União Europeia, defendendo a manutenção de uma política de coesão forte, que reconheça as especificidades das regiões ultraperiféricas e assegure os instrumentos financeiros necessários à continuidade do investimento estratégico nos Açores.

“A defesa desses instrumentos deve ser acompanhada por uma exigência acrescida na qualidade do planeamento, na maturidade dos projetos e no rigor da sua execução”, afirmou.

Na conclusão da intervenção, Berta Cabral deixou uma palavra de reconhecimento aos profissionais que colocam o seu conhecimento e dedicação ao serviço do desenvolvimento regional, considerando que a Autonomia e a engenharia continuarão a ser determinantes para o futuro do arquipélago.

“A Autonomia permitiu-nos assumir o nosso destino. A engenharia ajudou-nos a construir os Açores que hoje conhecemos e será igualmente decisiva para preparar os Açores que queremos legar às próximas gerações”, concluiu.

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