BOLIEIRO DEFENDE AUTONOMIA DO CONHECIMENTO PARA AÇORES E MADEIRA

José Manuel Bolieiro lecionou esta segunda-feira, 28 de setembro, na Universidade da Madeira, uma aula aberta subordinada ao tema “Autonomia e Centralidade”, no âmbito do Mestrado em Educação e Desenvolvimento Comunitário, dirigido pela professora doutora Liliana Rodrigues.

Segundo a nota de imprensa divulgada pela Presidência do Governo Regional, o presidente do Executivo açoriano partiu da experiência autonómica dos Açores para uma reflexão mais ampla sobre a capacidade das regiões insulares produzirem conhecimento, pensamento e decisão próprios, numa perspetiva que apresentou como uma “autonomia do conhecimento”.

Esta conceção, segundo José Manuel Bolieiro, não se esgota na existência de órgãos de governo próprio ou na descentralização administrativa. Passa também pela capacidade de pensar o território a partir do próprio território, “produzir conhecimento” sobre as suas especificidades e participar, a partir das ilhas, na construção de respostas nacionais e europeias.

Neste contexto, o presidente do Governo dos Açores rejeitou uma leitura das ilhas exclusivamente a partir da periferia ou das suas necessidades.

“As ilhas atlânticas, os Açores e a Madeira não são apenas regiões de necessidades de apoio para o seu desenvolvimento, mas também regiões de oportunidade para a dimensão atlântica de Portugal e da União Europeia”, afirmou.

Na aula aberta, dedicada à relação entre autonomia e centralidade, José Manuel Bolieiro revisitou igualmente o percurso histórico que conduziu ao atual modelo autonómico, nascido de uma reivindicação de descentralização e de uma vontade de superar aquilo que descreveu como “abandono, isolamento e falta de compreensão da realidade atlântica” das populações insulares.

O presidente do Governo dos Açores destacou também o papel das universidades enquanto espaços de conhecimento, reflexão crítica e produção de pensamento a partir das Regiões Autónomas.

Nesta perspetiva, a autonomia do conhecimento permite contrariar a ideia de que a distância geográfica relativamente aos grandes centros políticos e académicos corresponde necessariamente a uma posição periférica na produção de ideias.

A relação entre autonomia política, conhecimento e capacidade de decisão esteve, assim, no centro da reflexão, com o objetivo de colocar Açores e Madeira “não apenas como destinatários de políticas definidas nos centros de decisão, mas como territórios capazes de contribuir para a definição dessas mesmas políticas”.

José Manuel Bolieiro salientou ainda que a defesa da autonomia exige uma atitude permanente perante tendências centralizadoras.

“Nós temos de ter todos os dias, em todas as circunstâncias, conquistadores contra o centralismo”, afirmou.

A aula aberta integrou as iniciativas do Mestrado em Educação e Desenvolvimento Comunitário da Universidade da Madeira e constituiu também um espaço de aproximação e diálogo entre os dois arquipélagos portugueses.

No ano em que se assinalam os 50 anos da Autonomia, a sessão permitiu alargar o debate para além da dimensão político-administrativa, abordando também a autonomia enquanto capacidade de produzir conhecimento, formar pensamento crítico e colocar Açores e Madeira no centro da reflexão sobre o desenvolvimento das regiões insulares.

A sessão contou com a presença do reitor da Universidade da Madeira, Sílvio Fernandes, da secretária regional de Educação, Ciência e Tecnologia, Elsa Fernandes, e do secretário regional de Economia, José Manuel Rodrigues, além de deputados, representantes da comunidade académica e outras entidades.

A participação de responsáveis políticos, académicos e institucionais enquadrou o debate em torno da Autonomia, do conhecimento e dos desafios comuns aos arquipélagos dos Açores e da Madeira.

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