
Os Açores poderão atingir uma taxa de produção de energia renovável entre 65% e 70% até 2030, segundo o secretário regional do Ambiente e Ação Climática, Alonso Miguel, que destacou os investimentos previstos e em curso na Região para acelerar a transição climática e a descarbonização.
A possibilidade de os Açores atingirem uma taxa de renováveis entre 65% e 70% até 2030 foi avançada pelo secretário regional do Ambiente e Ação Climática, Alonso Miguel, durante a sessão de abertura do evento “Da ação local ao impacto global: Resiliência climática e governação dos oceanos em territórios insulares do Atlântico”, que decorreu em Angra do Heroísmo.
De acordo com a nota de imprensa divulgada na quarta-feira pela Secretaria Regional do Ambiente e Ação Climática, o encontro integrou os Climate Action Days, promovidos pelo Centro de Investigação para a Valorização dos Recursos Endógenos, do Instituto Politécnico de Portalegre, e pela Faculdade de Ciências Agrárias e do Ambiente da Universidade dos Açores, no contexto do Pacto Europeu para o Clima.
Alonso Miguel afirmou que as alterações climáticas “configuram, muito provavelmente, um dos maiores desafios com que a humanidade jamais se deparou, com repercussões e impactos globais”, salientando os efeitos que podem ter sobre setores relevantes para o desenvolvimento social e económico dos Açores.
Segundo o governante, agricultura, pescas, turismo, indústria e transportes estão entre as áreas sujeitas a uma pressão crescente, a par das comunidades, dos recursos naturais, da biodiversidade e dos ecossistemas.
Neste contexto, o secretário regional destacou o compromisso do Governo dos Açores com a transição climática, através de políticas e instrumentos destinados à mitigação e adaptação às alterações climáticas.
Entre os projetos apontados estão o Roteiro para a Neutralidade Carbónica dos Açores, o Projeto LIFE IP CLIMAZ, a criação de Cartografia de Risco para adaptação às alterações climáticas, sistemas de alerta de cheias em bacias hidrográficas de risco, o Plano de Gestão de Riscos de Inundações dos Açores e o Plano de Secas e Escassez dos Açores, apresentado como um instrumento pioneiro em Portugal.
O governante destacou também a implementação do Observatório Climático do Atlântico, na ilha Terceira, a modernização tecnológica do Observatório da Montanha do Pico e os projetos Reinfforce e Planclimac2, considerados instrumentos de apoio ao desenvolvimento de ferramentas para a ação climática.
Na área energética, Alonso Miguel realçou os investimentos destinados ao aumento da produção de energia renovável e à descarbonização da Região. Entre estes, referiu o programa SOLENERGE, que mobilizou já 60 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência para a instalação de sistemas solares fotovoltaicos destinados à autoprodução de energia.
O secretário regional destacou igualmente os investimentos realizados pela EDA e pela EDA Renováveis, que, nos últimos cinco anos, ascenderam a cerca de 150 milhões de euros, nomeadamente em sistemas de produção de energia geotérmica, solar, hídrica e eólica e em sistemas de armazenamento de energia por baterias nas ilhas Terceira e São Miguel.
“Está ainda prevista a execução, por parte destas duas empresas, de outros projetos orçados em mais de 120 milhões de euros, que, numa estimativa conservadora, permitirão atingir uma taxa de renováveis entre os 65% e 70% nos Açores, até 2030”, afirmou Alonso Miguel.
O governante defendeu ainda a necessidade de reforçar a capacidade de sequestro de carbono da atmosfera, através da recuperação de ecossistemas naturais, com destaque para as turfeiras, e da aposta na florestação, nomeadamente através de projetos de conservação da natureza e preservação da biodiversidade no âmbito do programa LIFE.
ÁREAS MARINHAS PROTEGIDAS
A criação da nova rede de áreas marinhas protegidas dos Açores foi igualmente destacada por Alonso Miguel. Segundo o secretário regional, a medida tem como objetivo proteger 30% do mar dos Açores, sendo metade dessa área destinada a uma interdição total de qualquer atividade extrativa.
“A criação da nova rede de áreas marinhas protegidas dos Açores, com o objetivo de proteger 30% do mar dos Açores, metade dessa área com interdição total a qualquer atividade extrativa, é uma das medidas que representa especial motivo de orgulho para a Região Autónoma dos Açores”, afirmou.
O governante sublinhou a importância dos oceanos enquanto “maior sumidouro natural de carbono do planeta”, considerando a preservação do seu estado determinante para travar o aquecimento global e para a proteção dos ecossistemas e da biodiversidade.
Alonso Miguel associou ainda a proteção dos oceanos à sustentabilidade das pescas e à criação de oportunidades de negócio na economia azul, nomeadamente no setor turístico.
“A consolidação a maior Rede de Áreas Marinhas Protegidas do Atlântico Norte, é, pois, um exemplo de liderança na Proteção Marinha, que nos orgulha, prestigia e coloca os Açores em destaque no panorama internacional”, afirmou.
APOIO A FAMÍLIAS E EMPRESAS AFETADAS POR EVENTOS EXTREMOS
O secretário regional recordou também a criação, em 2022, do Regime Jurídico-Financeiro de Apoio à Emergência Climática, destinado a apoiar financeiramente famílias e empresas açorianas afetadas por danos materiais e patrimoniais na sequência de eventos meteorológicos extremos.
Segundo Alonso Miguel, este instrumento já permitiu apoiar mais de 110 famílias e empresas, através de um investimento superior a meio milhão de euros.
Para o governante, a transição climática nos Açores constitui “uma absoluta necessidade”, exigindo o envolvimento do Governo Regional, das autarquias e das restantes entidades públicas, bem como articulação com as autoridades nacionais e comunitárias.
Alonso Miguel defendeu igualmente a necessidade de um compromisso coletivo da sociedade civil, envolvendo a academia, as escolas, as empresas e associações, além da responsabilidade individual de cada cidadão, com o objetivo de concretizar uma mudança de paradigma.
Na sessão de abertura, o secretário regional considerou ainda que iniciativas como o encontro realizado em Angra do Heroísmo são importantes para promover a reflexão e o diálogo entre instituições europeias, autoridades nacionais, regionais e locais, academia e representantes do tecido económico e social.
O objetivo, segundo Alonso Miguel, passa por procurar “soluções eficazes para dar resposta aos crescentes desafios que enfrentamos em matéria de sustentabilidade ambiental, de ação e resiliência climática, de proteção das populações e de salvaguarda das atividades relevantes do ponto de vista social e económico”, tendo em conta as características dos Açores, marcadas pela insularidade e pelo isolamento no Atlântico.
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