PS/AÇORES ALERTA PARA RESULTADOS DO PISA 2025

Em nota de imprensa divulgada hoje, quinta-feira, 10 de setembro, o Grupo Parlamentar do PS/Açores defende uma análise rigorosa dos resultados do PISA 2025, programa da OCDE que avalia o desempenho dos alunos em diferentes domínios.

Segundo os dados citados pelo PS/Açores, os alunos da Região continuam abaixo da média nacional nos principais domínios avaliados. Em Ciências, os Açores obtiveram 461 pontos, menos 21 do que a média nacional; em Leitura, 440 pontos, menos 22; e em Matemática, 440 pontos, menos 20. Na resolução computacional de problemas, a Região alcançou 486 pontos, contra 501 no conjunto do país.

A deputada socialista Inês Sá reconhece a recuperação face aos resultados de 2022, salientando que esta ocorreu num contexto de descida registada em Portugal e na generalidade dos países participantes. Contudo, considera que essa evolução não pode ocultar o facto de os Açores continuarem sem atingir os resultados obtidos há uma década.

Em 2015, a Região tinha registado 470 pontos em Ciências, 470 em Leitura e 462 em Matemática. Dez anos depois, os resultados correspondem a menos nove pontos em Ciências, menos 30 em Leitura e menos 22 em Matemática.

“A recuperação relativamente a 2022 é positiva, mas recuperar do pior resultado não significa que tenhamos chegado onde queremos. Dez anos depois, os nossos alunos continuam abaixo dos resultados que os Açores já conseguiram alcançar e abaixo da média nacional. É sobre isto que temos de trabalhar, sem triunfalismos e sem desculpas”, afirma Inês Sá.

A deputada socialista destaca também o desempenho da Madeira, que obteve 490 pontos em Ciências, 465 em Leitura, 465 em Matemática e 514 na resolução computacional de problemas, superando os Açores em todos os domínios.

Para Inês Sá, estes resultados mostram que a insularidade, apesar dos constrangimentos que representa, “não pode justificar por si só a persistência das dificuldades educativas na Região”.

O PS/Açores chama ainda a atenção para o impacto das desigualdades sociais no desempenho escolar. De acordo com os dados nacionais citados na nota de imprensa, em Matemática existe uma diferença de 99 pontos entre alunos de contextos socioeconómicos mais favorecidos e mais desfavorecidos, sendo este fator responsável por cerca de 17% da variação dos resultados em Portugal.

“Não existe política educativa desligada da política social. Combater a pobreza, apoiar as famílias, garantir recursos às escolas e assegurar igualdade de oportunidades são também formas de promover o sucesso educativo”, sublinha a deputada.

A dimensão da amostra regional é outro dos aspetos destacados pelos socialistas. Apenas 149 alunos de seis escolas participaram no PISA 2025, circunstância que, segundo Inês Sá, exige prudência na interpretação dos resultados.

A parlamentar recorda que, em 2015, os Açores participaram num exercício mais abrangente, envolvendo 47 escolas e 1.534 alunos, o que, defende, permitiu obter dados regionais mais robustos.

Neste sentido, Inês Sá considera que o Governo Regional deve assegurar, nos próximos ciclos, uma participação regional mais representativa, de forma a permitir um acompanhamento mais rigoroso da evolução das aprendizagens e uma avaliação do impacto das políticas educativas.

“Os Açores não podem conformar-se com permanecer abaixo da média nacional. Reconhecer as melhorias é importante, mas é igualmente importante perceber quanto falta fazer. A Educação exige continuidade, avaliação, rigor e políticas construídas a partir da evidência. Os nossos alunos merecem essa exigência”, afirma.

A deputada conclui que o PS/Açores continuará a defender “uma escola pública que promova aprendizagens efetivas, combata as desigualdades e garanta a todas as crianças e jovens açorianos as condições necessárias para desenvolverem plenamente as suas capacidades”.

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