
O Vice-Presidente do Governo Regional, Artur Lima, defendeu uma “reflexão profunda” sobre os desafios do envelhecimento populacional e a criação de uma “economia sénior”, considerando que o impacto desta realidade será “imenso” no futuro. O governante falava durante a sessão comemorativa do 164.º aniversário do Lar D. Pedro V.
A intervenção de Artur Lima, divulgada ontem pela Vice-Presidência do Governo Regional, centrou-se nos desafios colocados pela transição demográfica e na necessidade de adaptar as políticas públicas às necessidades de uma população progressivamente mais envelhecida.
“É fundamental iniciarmos uma reflexão profunda sobre uma nova economia, a economia sénior”, afirmou o Vice-Presidente do Governo, acrescentando que o seu “impacto futuro será imenso”.
Nesse contexto, Artur Lima defendeu que é necessário olhar “muito seriamente para a inclusão” das pessoas idosas, para “a sua participação nas nossas comunidades” e para “o seu bem-estar nas mais variadas dimensões”.
“Há que prever e prevenir para depois atuar”, sublinhou.
O governante considerou ainda “essencial a participação do Estado”, a quem atribuiu o “dever de proteção daqueles que cuidaram de nós”, em articulação e cooperação com as Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), que, afirmou, “têm e terão sempre um papel humanista nesta matéria”.
LAR D. PEDRO V DESTACADO COMO INSTITUIÇÃO DE REFERÊNCIA
Durante a sessão comemorativa do aniversário do Lar D. Pedro V, Artur Lima destacou a “história de prestação de cuidados de excelência, centrados em cada idoso e atentos à diversidade das suas necessidades”.
Para o governante, a instituição “é muito mais do que um espaço de acolhimento”, uma vez que valoriza “todas as etapas do envelhecimento” e o contributo de pais e avós para a sociedade açoriana.
“Aqui, são valorizadas todas as etapas do envelhecimento, é valorizado o contributo de inúmeros pais e avós para a nossa terra, é partilhada a sua sabedoria e a sua identidade e é preservada a sua memória, que é também a de todos nós, e por essa razão tão valiosa”, afirmou.
Artur Lima destacou igualmente o papel desempenhado pelo Lar D. Pedro V no programa “Novos Idosos”, tendo sido, em 2022, a primeira Instituição de Enquadramento do programa em toda a Região Autónoma dos Açores.
O Vice-Presidente assegurou que se “empenhará sempre para que o programa continue dinâmico e ativo”, contribuindo para a dignidade da pessoa humana, que considerou ser a “matriz da democracia cristã”.
“NOVOS IDOSOS” JÁ CHEGOU A CENTENAS DE AÇORIANOS
Segundo Artur Lima, o programa “Novos Idosos” já beneficiou centenas de açorianos e viu o seu sucesso reconhecido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).
O governante citou ainda os resultados das avaliações independentes realizadas ao programa, que, afirmou, apresentam “resultados extremamente positivos”.
“Seis em cada dez idosos melhoraram as funções cognitivas, oito em cada dez sentem-se menos sós e nove em cada dez está mais satisfeito com a vida”, realçou.
Artur Lima aproveitou a ocasião para agradecer à sua equipa, à Estrutura de Missão do programa e às IPSS envolvidas, pelo “seu compromisso para que fosse possível uma mudança de paradigma na forma de cuidar de quem vai envelhecendo”.
“DIREITO A FICAR” DEVE APLICAR-SE TAMBÉM AOS IDOSOS
Na intervenção, o Vice-Presidente do Governo Regional recuperou ainda o conceito de “direito a ficar”, associado ao economista e antigo primeiro-ministro italiano Enrico Letta, defendendo que este princípio deve ser aplicado também à população idosa.
“Que melhor materialização podemos querer deste conceito, do que um idoso, depois de ter construído a sua casa, constituído a sua família, criar os seus filhos, ter o direito a ficar na sua ilha, no seu concelho, na sua freguesia, na sua rua, no seu lar, recebendo, porventura, os seus netos?”, questionou.
Artur Lima concluiu considerando o “Novos Idosos” um “projeto humanista e pioneiro em Portugal e na Europa” e “a materialização maior do ‘direito a ficar’”.
© GRA | Foto: VPGRA | PE
