LIFE IP AZORES NATURA JÁ PLANTOU 17 MIL ESPÉCIES NATIVAS NA LAGOA DO FOGO

Os trabalhos de recuperação ecológica na Reserva Natural da Lagoa do Fogo, em São Miguel, já permitiram a plantação de cerca de 17 mil exemplares de espécies nativas e endémicas dos Açores, no âmbito do projeto LIFE IP Azores Natura.

A informação foi divulgada ontem pela Secretaria Regional do Ambiente e Ação Climática, por ocasião do Dia Mundial da Conservação da Natureza, assinalado a 28 de julho, durante uma visita do Secretário Regional do Ambiente e Ação Climática, Alonso Miguel, aos trabalhos de renaturalização em curso naquela área protegida.

Segundo a nota de imprensa, a intervenção decorre numa área de cerca de oito hectares, onde têm sido realizadas ações de controlo e remoção de criptoméria e de espécies exóticas invasoras, seguindo-se a plantação de espécies como urze, cedro-do-mato, pau-branco, azevinho, uva-da-serra e faia-da-terra.

Citado na nota, Alonso Miguel afirmou que esta iniciativa “representa mais uma oportunidade para reforçar o compromisso do Governo dos Açores com a proteção e valorização do nosso património natural”, defendendo que “a conservação destes ecossistemas exige um trabalho contínuo, persistente e baseado no conhecimento científico”.

O governante salientou ainda que o LIFE IP Azores Natura, coordenado pela Secretaria Regional do Ambiente e Ação Climática, é o primeiro projeto integrado aprovado em Portugal e o maior projeto de conservação da natureza alguma vez desenvolvido nos Açores. O programa dispõe de um investimento de 19,1 milhões de euros, comparticipado em 60% pela União Europeia, e tem como objetivo melhorar o estado de conservação dos habitats e das espécies em todos os sítios da Rede Natura 2000 na Região.

A Reserva Natural da Lagoa do Fogo, classificada como Zona Especial de Conservação no âmbito da Rede Natura 2000, integra uma das áreas de intervenção prioritárias do projeto.

De acordo com Alonso Miguel, os resultados já alcançados são encorajadores. Além de uma taxa de sobrevivência das plantações na ordem dos 80%, o responsável destacou o surgimento espontâneo de um número significativo de exemplares de espécies nativas e endémicas, considerando que esse é um dos principais indicadores do sucesso do processo de recuperação ecológica.

“Trata-se, de facto, de um esforço muito significativo de recuperação ecológica, que exige elevados níveis de capacitação técnica e operacional”, afirmou o secretário regional, acrescentando que os resultados demonstram a eficácia das ações desenvolvidas no terreno.

Na mesma nota, Alonso Miguel sublinhou que “proteger a natureza é investir no futuro dos Açores”, defendendo que os ecossistemas saudáveis prestam serviços essenciais para o bem-estar das populações, contribuindo igualmente para a mitigação e adaptação às alterações climáticas.

O governante reconheceu que ainda existe um longo caminho a percorrer, mas considerou que o LIFE IP Azores Natura representa “um passo importante” na consolidação de uma conservação ativa baseada em ações concretas e de longo prazo. Acrescentou ainda que o projeto tem vindo a demonstrar que é possível recuperar habitats degradados através do restauro ecológico, da conservação ativa e do aprofundamento do conhecimento científico.

A Secretaria Regional do Ambiente e Ação Climática refere ainda que, no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Conservação da Natureza, promoveu um conjunto de atividades em todas as ilhas dos Açores, envolvendo centenas de crianças e jovens de estabelecimentos de ensino e de espaços educativos da Região.

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