O Governo dos Açores deu início ao Plano de Monitorização dos Fluxos de Visitação à Ilha do Corvo – Verão 2026, uma iniciativa destinada a recolher dados sobre a atividade turística durante a época alta. O objetivo é apoiar futuras decisões de gestão sustentável do destino, face ao aumento da pressão turística registada nos meses de verão.
O Governo dos Açores vai monitorizar, entre julho e setembro, os fluxos de visitantes na ilha do Corvo, através de um plano que pretende recolher informação detalhada sobre a atividade turística durante o período de maior afluência à ilha.
Segundo uma nota de imprensa divulgada ontem pela Secretaria Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, o Plano de Monitorização dos Fluxos de Visitação à Ilha do Corvo – Verão 2026 foi anunciado pela secretária regional, Berta Cabral, durante a recente visita estatutária do Governo Regional ao Corvo.
Coordenada pela Secretaria Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, através da Açores DMO, a iniciativa pretende aprofundar o conhecimento sobre os fluxos turísticos na ilha, criando uma base de informação que permita apoiar futuras decisões de gestão sustentável.
De acordo com Berta Cabral, o plano surge na sequência das preocupações manifestadas pela comunidade local e por diversas entidades da ilha relativamente ao aumento da pressão turística durante os meses de verão, sobretudo devido às deslocações marítimo-turísticas provenientes da ilha das Flores.
“O Corvo é um destino singular e de elevado valor ambiental, paisagístico e cultural. É fundamental garantir que o crescimento da atividade turística continua a gerar benefícios para a população local, assegurando simultaneamente a preservação dos seus recursos naturais e a qualidade da experiência proporcionada aos visitantes”, afirmou a governante.
O plano prevê a monitorização quantitativa e qualitativa dos fluxos de visitação, dos padrões de comportamento dos visitantes e dos respetivos impactos na mobilidade, infraestruturas, serviços locais, recursos naturais e qualidade de vida da população residente.
Entre as ações previstas está a monitorização diária das entradas de visitantes por via marítima e aérea, incluindo a contagem presencial no Porto do Corvo e a recolha de dados relativos às chegadas marítimas provenientes da ilha das Flores.
A iniciativa contempla ainda o levantamento da capacidade instalada de alojamento e restauração, de forma a avaliar a resposta da oferta turística existente e identificar eventuais diferenças entre a procura e os serviços disponíveis.
Outra das componentes do plano será a monitorização da pressão sobre os principais locais de interesse turístico, como o Caldeirão e os trilhos pedestres, através de observação direta, contagem de visitantes e recolha de informação sobre congestionamentos, utilização dos espaços e eventuais impactos ambientais.
Paralelamente, será implementado o Barómetro Corvo, um inquérito dirigido aos visitantes para avaliar o seu perfil, motivações, qualidade da experiência e perceção dos níveis de lotação. O plano inclui igualmente a recolha das perceções da comunidade local e dos principais agentes económicos e turísticos sobre os impactos da atividade turística na ilha.
Os dados recolhidos permitirão criar indicadores relativos ao número diário de visitantes, picos horários de pressão, utilização dos trilhos, ocupação dos principais pontos de interesse, grau de satisfação dos turistas e perceção dos residentes.
Segundo a Secretaria Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, os resultados serão reunidos num relatório técnico a apresentar até ao final de 2026, que servirá de apoio à definição de futuras políticas públicas para o Corvo.
Entre os objetivos está a obtenção, pela primeira vez, de dados objetivos sobre a capacidade de carga turística da ilha, a identificação de limiares de pressão diária e o reforço da sustentabilidade do destino, conciliando o desenvolvimento turístico com a qualidade de vida da população.
A informação recolhida poderá ainda sustentar, numa fase posterior, a avaliação de medidas como a eventual definição de limites diários de visitantes, a gestão dos horários de chegada, o reforço das infraestruturas e dos serviços de apoio ou a implementação de mecanismos de regulação dos fluxos turísticos.
“A estratégia do Governo dos Açores passa por promover um turismo sustentável, equilibrado e gerador de valor para as comunidades locais. Este plano representa mais um passo nesse compromisso, permitindo tomar decisões sustentadas por dados e conhecimento”, concluiu Berta Cabral.
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