
A vereadora da Câmara Municipal da Praia da Vitória, Paula Sousa, considerou que a presença das tropas britânicas na ilha Terceira durante a década de 1940 representou “um ponto de viragem na sociedade local”, ao introduzir novas realidades sociais, culturais e económicas. As declarações foram proferidas na inauguração da exposição que assinala os 80 anos da partida das forças britânicas da ilha, numa iniciativa promovida pela autarquia.
A presença das tropas britânicas na ilha Terceira durante a Segunda Guerra Mundial marcou profundamente a evolução da sociedade terceirense, defendeu a vereadora da Câmara Municipal da Praia da Vitória, Paula Sousa, durante a inauguração da exposição “80 Anos da Partida das Forças Britânicas da Ilha Terceira”, realizada na sexta-feira à noite.
Segundo uma nota de imprensa divulgada pelo Gabinete de Comunicação da Câmara Municipal da Praia da Vitória, a autarca sublinhou que a evocação desta efeméride representa “um compromisso com a memória do Concelho”.
Na sua intervenção, Paula Sousa destacou que o contacto da população local com uma força estrangeira organizada proveniente do Reino Unido trouxe mudanças significativas à realidade da ilha.
“A presença britânica na ilha marcou um ponto de viragem. Pela primeira vez, a nossa comunidade contactou de forma intensa com uma força estrangeira organizada, oriunda do Reino Unido, trazendo consigo não apenas objetivos militares, mas também novos hábitos, novas perspetivas e uma certa ideia de modernidade”, afirmou.
A vereadora acrescentou que esse encontro entre culturas contribuiu para abrir novas oportunidades à população açoriana, numa época marcada pelo isolamento geográfico do arquipélago.
“O contacto com a língua inglesa, com diferentes modos de vida e com novas dinâmicas de trabalho impulsionou o espírito empreendedor açoriano”, salientou. Segundo a autarca, a necessidade de mão-de-obra para a construção e ampliação da pista de aviação alterou significativamente o quotidiano da ilha, passando a Base das Lajes a assumir um papel central não apenas do ponto de vista militar, mas também económico e social.
Paula Sousa recordou ainda que esta transformação foi posteriormente reforçada pela chegada das forças norte-americanas à Base das Lajes, após a saída dos militares britânicos.
Patente na galeria da Academia de Juventude e das Artes da Ilha Terceira, a exposição contextualiza a presença das forças britânicas na Terceira e integra um programa comemorativo promovido pela autarquia. Na mesma noite realizou-se a mesa-redonda “As Raízes Culturais da Base das Lajes: uma perspetiva social, militar e estratégica da presença britânica”, com a participação dos especialistas Armando Mendes, Pedro Ventura e Tânia Santos, seguindo-se a exibição do filme “Sarrado Grande”, da produtora Cães do Mar.

As comemorações prosseguiram no sábado, na Academia de Juventude e das Artes da Ilha Terceira, com a palestra “Já Passaram 80 anos?”, pelo professor doutor António José Telo, iniciativa que encerrou o programa evocativo dos 80 anos da saída das tropas britânicas da ilha.
Citada na nota de imprensa, Paula Sousa considerou que o conjunto das quatro iniciativas contribui para preservar a memória coletiva da comunidade.
“São quatro momentos que, no seu conjunto, reavivam memórias; aumentam o nosso conhecimento; e, acima de tudo, contribuem para a preservação desta memória coletiva que marca de forma inegável a nossa realidade e identidade”, concluiu.
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