DIA MUNDIAL DO AMBIENTE: AÇORES DEVEM SER REGIÃO DE PAZ, DEFENDE APPAA

A celebração do Dia Mundial do Ambiente decorre este ano num contexto particularmente preocupante para a população mundial e para o ambiente, considera a Associação para a Promoção e Proteção Ambiental dos Açores (APPAA), numa comunicação divulgada a propósito da efeméride.

Segundo a associação, as guerras continuam a provocar “o maior dos prejuízos às populações e ao ambiente”, numa conjuntura em que não se vislumbra o seu fim e em que, alerta, se tem vindo a consolidar uma mentalidade que encara os conflitos armados como inevitáveis.

Na comunicação, a APPAA recorda que o Dia Mundial do Ambiente surgiu há 53 anos com o objetivo de promover a defesa do “Ambiente Humano”, numa época marcada por fortes movimentos de mobilização popular contra as guerras. A associação considera, por isso, preocupante a atual normalização dos conflitos e a criação de cenários geopolíticos assentes na identificação de “inimigos”, comparando esse processo a um jogo.

A associação critica ainda a valorização da posição geoestratégica dos Açores no contexto militar internacional. De acordo com a APPAA, é censurável a apresentação da Região como um “ativo fundamental para a NATO, para a União Europeia e os Estados Unidos” devido à sua localização estratégica. Na perspetiva da organização ambientalista, a solicitação de compensações e de investimentos reforçados na área da defesa militar corresponde a transformar os Açores num potencial alvo de conflito.

“Não podemos aceitar que a Região seja vendida como alvo geoestratégico em troca de benefícios manchados de sangue das vítimas da guerra”, sustenta a associação na mesma comunicação.

Em contraponto, a APPAA defende a promoção dos Açores como uma região orientada para o desenvolvimento sustentável, compatível com a proteção do ambiente humano e do ambiente natural. A organização sublinha que existem cerca de três dezenas de países e regiões sem forças militares próprias, cuja soberania é garantida e que figuram entre os locais mais seguros do mundo.

Para a associação, a verdadeira “guerra” que os Açores devem travar é contra os efeitos das alterações climáticas aceleradas, que identifica como o principal inimigo das populações e da natureza. Nesse sentido, defende que os investimentos económicos, humanos e materiais devem ser direcionados para o ordenamento do território e para um desenvolvimento harmonioso da Região.

A APPAA alerta também para aquilo que considera ser uma perceção incorreta sobre a dimensão das áreas naturais protegidas nos Açores. Segundo a associação, a Região continua longe de alcançar níveis elevados de proteção quando comparada com outras regiões insulares e com vários países europeus, incluindo alguns dos maiores do continente.

Outro dos pontos destacados na comunicação prende-se com a conservação da floresta de Laurissilva. Apesar da Década das Nações Unidas da Restauração de Ecossistemas (2021-2030) ter como objetivos o combate às alterações climáticas e a promoção da biodiversidade, a APPAA refere que a Laurissilva ocupa atualmente áreas residuais em cada ilha, totalizando apenas algumas centenas de hectares em toda a Região, e encontra-se sujeita a um processo contínuo de degradação.

A associação sustenta que o restauro dos ecossistemas terrestres constitui a forma mais eficaz de prevenir e mitigar os impactos dos fenómenos meteorológicos extremos, cuja frequência e intensidade têm vindo a aumentar devido às alterações climáticas. Por essa razão, considera que as áreas protegidas devem beneficiar de um esforço acrescido de recuperação, sobretudo devido à pressão exercida pelas espécies invasoras e pelos processos de erosão.

A APPAA destaca ainda a existência de reservas florestais e viveiros capazes de produzir plantas nativas e endémicas, defendendo que estes recursos devem ser utilizados prioritariamente na recuperação de zonas protegidas, áreas vulneráveis à erosão, locais sujeitos a movimentos de vertente e na proteção das linhas de água.

A concluir, a associação expressa o desejo de que o Dia Mundial do Ambiente sirva para reforçar a defesa dos Açores como uma “Região de Paz”, com o objetivo de proteger simultaneamente o Ambiente Humano e o Ambiente Natural, considerando que ambos são indissociáveis para o futuro sustentável do arquipélago.

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